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Ex-assessor de Arruda falta a depoimento à PF em Brasília  
28/01/2010 - 12:29

Folha Online

Ex-secretários e ex-colaboradores do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido), resistem em revelar detalhes à Polícia Federal sobre o suposto esquema de arrecadação e pagamento de propina. Nesta quinta-feira, o ex-assessor de imprensa do governador Omezio Pontes não compareceu ao depoimento. Até agora, das 12 pessoas convocadas, apenas duas aceitaram colaborar com as investigações da Operação Caixa de Pandora.

Pontes, apontado por Durval Barbosa --delator do esquema e ex-secretário de Relações Institucionais-- como um dos distribuidores da propina, não se apresentou no prédio da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.

O ex-assessor de Arruda, que aparece em dois vídeos gravados por Barbosa supostamente tratando do esquema, chegou a avisar ao delegado Alfredo Junqueira que iria prestar depoimento.

Após uma hora de espera e sem nenhum sinal de Pontes, o delegado cancelou a oitiva. Ele será convocado mais uma vez, se não aparecer, na terceira poderá ser conduzido pela Polícia Federal.

Outros investigados na operação que são ligados ao governador também evitam dar explicações. O ex-chefe da Casa Civil José Geraldo Maciel se reservou ao direito de permanecer calado.

A estratégia também foi adotada pelo policial aposentado Marcelo Toledo, assessor do vice-governador, Paulo Octávio (DEM). Toledo, acusado de ser arrecadador do esquema, conseguiu um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) e permaneceu calado durante depoimento.

Outra tática é adiar os depoimentos, como fizeram o empresário Helio de Oliveira, dono de uma empresa de informática investigada, e o ex-chefe de gabinete de Arruda, Fabio Simão.

A Polícia Federal só conseguiu ouvir a diretora comercial da Uni Repro, Nerci Soares, e outro depoente que não teve a identidade revelada. Nerci falou por mais de três horas, mas o delegado responsável não autorizou a divulgação do conteúdo.

A Polícia Federal espera ouvir na tarde de hoje o jornalista Edmilson Edson dos Santos, principal testemunha de Barbosa. Santos, também conhecido como "Sombra", teria incentivado Barbosa a denunciar o esquema.

Ao todo, o inquérito do STJ (Superior Tribunal de Justiça) envolve 36 pessoas, entre autoridades do governo local, deputados distritais e empresários. Segundo o inquérito, há indícios da prática dos crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude de licitação e crime eleitoral.

 
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