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Os políticos tentando driblar a pandemia

24/04/2020 - 09h52

Manoel Afonso 

MANDETTA:  Li e ouvi as entrevistas do ex-ministro da saúde após chegar ao MS. Sem ranço, equilibrado. Tem o ‘time’ da sua condição e não se deixa levar por críticas e pesquisas; não nutre ilusões pelos elogios sinceros ou não. Os 8 anos na Câmara deram-lhe uma boa visão do universo político. Faz questão de separar sua gestão do seu partido (DEM), ressaltando que se norteou pela ciência.  As referências ao presidente Bolsonaro sem críticas, mágoas, acidez e ironias - nem no episódio da sua demissão. Ignora as mensagens do celular, o calendário eleitoral e as postagens das redes sociais. Em paz.


DESGASTE: Qual o futuro do PDT no pleito da capital neste ano? Perdendo os dois vereadores e o ex-candidato Odilon de Oliveira, o partido tem problemas. O deputado Dagoberto Nogueira tem consciência do isolamento partidário e da carência de novos nomes. O parlamentar seria o candidato como última opção? Mas há riscos levando-se em conta que no pleito de 2018 obteve apenas 8.423 votos na capital. E mais; o partido em nível nacional vai mal pelas declarações e imagem de seu líder maior Ciro Gomes.


É CERTO ‘uma eleição é diferente da anterior’, mas alguns fatores podem balizar. Em Campo Grande tiveram mais votos que Dagoberto para a Câmara Federal: Vander Loubet (PT) 8.680 votos; Beto Pereira (PSDB) 15.152; Tereza Cristina (DEM) 15.631; Loester Truts (PSL) 29.028; Luiz Ovando (PSL) 31.303; Rose Modesto (PSDB) 49.435 e Fábio Trad (PSD) 57.020 votos. Outro fator relevante: pela sua postura nesta pandemia, o prefeito Marcos Trad (PSD) pode melhorar ainda mais sua condição.


O DISCURSO: Em toda eleição ele deve  sintetizar o projeto de governo do candidato. Esse talvez possa ser o grande desafio dos demais postulantes a prefeitura da nossa capital. O tempo vai passando, as atenções centradas no coronavirus  dispersam o  exercício da política de contato nas bases eleitorais. É neste contexto que quem está no poder ocupa esse vácuo com ações de cunho eleitoral. Final de abril e os  concorrentes ainda tímidos ou desorganizados para a batalha sem o ‘brado de guerra’. Sei não...

 

1-DA ASSEMBLEIA:  Deputado Antônio Vaz (Republicanos): aprovado em 1ª. Votação projeto criando o Conselho dos Direitos da Infância e Juventude; pede mais equipamentos de proteção aos profissionais da saúde. Deputado Lucas de Lima (Solidariedade) feliz com a arrecadação pela LIVE para ajudar carentes; distribuiu R$909 mil a 14 cidades pelo Fundo Estadual da Saúde. Deputado Marçal Filho (DEM) quer a construção da Casa de Apoio do Hospital Regional de Dourados; Destinou R$650 mil a 6 cidades da região Sul do Estado.


O JEITO’:  Recluso, tenho lido também  biografias de personagens e de políticos. E a conclusão é única: para ser político é preciso levar jeito. É como o craque que bate no lugar certo da bola na cobrança de falta. Vale mais o jeito que a força. Duas biografias no foco comparativo: Ruy Barbosa e Itamar Franco. Ruy foi uma notável enciclopédia viva que desde a infância surpreendeu  pela inteligência e dedicação. Unanimidade nacional, independentemente de preferencia política, não conseguiu se eleger presidente da República apesar das duas tentativas. Sua oratória e cultura não formaram um binômio que exalasse carisma. Personalista, não conseguia agregar.


‘O ESTÍLO’: Para alguns lembra o personagem Forrest Gump interpretado por Tom Hanks. O azarão que deu certo. Esse o Itamar Franco! Prefeito de Juiz de Fora (MG) duas vezes  e senador por dois mandatos , vice presidente de Collor de Mello, presidente do Brasil, embaixador, governador de Minas Gerais e finalmente eleito senador em 2010. Morreu em 2012 tendo ocupado os cargos mais importantes da vida pública. Os intelectuais sempre encontravam defeitos nele, mas ele ‘batia na bola’ com seu jeito provinciano, simples, cultivando valores como a lealdade.  Merecia ser reconhecido pelo Plano Real - quando só tecem loas ao ex-presidente Fernando H. Cardoso.


2-DA ASSEMBLÉIA:  Deputado  Capitão Contar (PSL): Aprovado seu projeto que o  cria o aplicativo para denunciar agressões às mulheres; pede criação de linhas de crédito para dar fôlego aos pequenos empresários. Deputado Zé Teixeira (DEM): reafirmando sua postura em defesa dos cortes dos gastos da Assembleia Legislativa. Deputado José C. Barbosa (DEM): Pede ações mais intensas do Procon contra abusos dos preços no comércio; Autor de indicação pedindo mais apoio ao programa que visa distribuir equipamentos de proteção contra o coronavirus aos agentes penitenciários.


SÓ ATRAPALHA!  Aquela bronca de Antônio Ermírio de Moraes contra o Estado na regulação da economia tem precedente. Na biografia de Irineu Evangelista de Souza – ‘Barão de Mauá’ - fica evidente que apesar de sua trajetória fantástica como um  empreendedor liberal, a União foi a responsável pela sua derrocada, morrendo falido. Em 1860, 8 das 10 maiores empresas no país eram dele. Mas a mania do Governo em se meter onde não entende, com leis e decretos malucos inviabilizou seus negócios. Aliás, isso continua ocorrendo. Contra ele pesou por ser contrário a escravidão e a Guerra do Paraguai. Aqui, sugiro a leitura da biografia deste grande brasileiro . Vale a pena.


‘TROTES’: Infelizmente continuam nos telefones de urgência e emergência. Ano passado chegaram a quase 10% das chamadas que resultaram em deslocamentos inúteis que provocaram custos e prejuízos a quem necessitava. Quadro que o deputado Capitão Contar (PSL) quer reverter com programa permanente através de projeto que tramita na Assembleia Legislativa prevendo palestras, campanhas educativas  e identificação com cobrança da pessoa física ou jurídica titular da linha dos valores referentes às despesas do acionamento indevido. Uma iniciativa simpática e oportuna. 


O EXILADO.  A política também tem disso. Foram 17 anos na Europa. O advogado Washington Luiz foi vereador e prefeito em Batatais. Em 1904 elegeu-se deputado estadual, foi Secretário de Justiça, prefeito de São Paulo de 1914/1920; presidente de São Paulo (1920/1924); eleito senador em 1925; em 1926 eleito presidente da república derrotando o gaúcho Assis Brasil.  Em 1930 apoiou seu vice Júlio Prestes vitorioso contra Getúlio Vargas. Veio a’ Revolução de 30’, foi deposto, preso, exilado na Europa. Retornando em 1947 veio a falecer em 1957. Estive em Batatais e visitei a Câmara Municipal onde o gabinete do ex-vereador ilustre permanece conservado.  


3-ASSEMBLEIA:Deputado Lídio Lopes (Patriota): ativo na presidência da Comissão de Justiça e Redação ’; em contato com prefeitos do Cone Sul devido a pandemia do Coronavirus. Deputado Gerson Claro (PP): Líder do Governo é o condutor de questões  na Casa e dialoga com líderes dos partidos. 


Deputado Neno Razuk (PTB): Aprovado seu projeto que denomina ‘Felipe A. Prechitko’ o trecho da MS 420 entre Douradina e a BR 163. Deputado Evander Vendramini (PP): Aprovado seus projetos instituindo a Medalha do Homem Pantaneiro e consagrando o carnaval de Corumbá como patrimônio cultural do MS -,  pede apoio a bancada federal ao projeto que suspende juros de cheque especial no período da pandemia do coronavirus.


‘HOMEM ELÉTRICO’: Das suas 2.330 patentes que Thomas Edson registrou, 424 são ligadas a eletricidade e ao progresso: a lâmpada incandescente, o fonógrafo, rodas de borracha, embalagem à vácuo, microfone de carbono, cinescópio, bateria de carro elétrico, caneta elétrica de estêncil e estrada de ferro eletrificada. Em 1888 fundou a ‘Edson General Eletric’ que dominou o segmento nos ‘EUA’, que convenhamos:  não é  potência por acaso.  Detalhe: Henry Ford foi um dos seus funcionários. Um ditado de sua autoria mostra bem a personalidade dele: “A inquietação e o descontentamento são as primeiras necessidades do progresso”.


ARIEL PALÁCIOS:  “ (...) Assim é Cristina Kirchner, capaz de ter um acesso de fúria por uma marca errada de água mineral colocada em cima de sua mesa ou por uma crítica, inclusive com uma caricatura que destaque seus lábios – supostamente – recheado de botox.  Os humoristas deliciam-se em ilustrá-la como uma shopaholic...Cristina, cuja fortuna aumentou 930% entre 2003 e 2010, define sua política como “nacional e popular...”. (do seu livro ‘Os Argentinos’- edição 2013).


REFLEXÃO: “Quem vai segurar a mão na hora da despedida derradeira? Quem dará o último beijo? Quem vai pronunciar as últimas palavras de conforto? Quem irá cerrar as pálpebras? Em tempos de pandemia ficou difícil responder essas perguntas. Muitas pessoas no leito da morte estão isoladas. Sem famílias e sem amigos, sem carinho e sem ternura. Elas deixam a vida sem poderem se despedir...( - ) É difícil imaginar algo mais desumano. Priva os pacientes, especialmente aqueles à beira da morte, de seus últimos instantes de alegria, de seus últimos desejos, de seus últimos anseios.” ( Astrid Prange )


No facebook: “Em época de pandemia escute os médicos, mas em época de eleições escute os professores de história”. 

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