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Poder: amigos ajudam ou atrapalham?

15/03/2019 - 09h15

Manoel Afonso 

PATINANDO O Palácio do Planalto perde tempo com questões periféricas e discursos ideológicos. Ora! Estamos atrasados, precisamos de articulações políticas e ações concretas para viabilizar o avanço na agenda das mudanças desejadas. Esse pessoal novo do Congresso precisa colocar em pratica o discurso que prometia a nova política – que não pode excluir o diálogo e a negociação. É da democracia pô!


ENTRAVES  São 66 integrantes na CCJ onde o Governo tem maioria, mas o ambiente não é favorável à proposta da Reforma da Previdência. Esse é apenas um exemplo da falta de condução adequada que atenda certos interesses eleitorais de políticos e partidos aliados. Será que esse pessoal desconhece aquele preceito de São Francisco de Assis?  Se não partilhar o poder nada funciona. Sempre foi – sempre será!


CAUTELOSO  Ouvi atentamente e gostei das ponderações do nosso único deputado integrante da Comissão de Constituição e Justiça. Fábio Trad (PSD) não esconde que é preciso agir criteriosamente na análise do projeto original da Reforma da Previdência. O parlamentar elogia certos pontos do projeto, mas também apresenta argumentos bem palpáveis exigindo mudanças no texto. Conhece da matéria.


MARMELADA A briga de poder deu nisso lamentavelmente.  A decisão do STF em mandar para a Justiça Eleitoral os casos de Caixa 2 e lavagem de dinheiro em conexão com as eleições esvaziará a Lava Jato.  Aumentarão as chances dos réus processados  por recebimento de propina acabarem impunes pela falta de aparelhamento da Justiça Eleitoral. Tem muita gente processada por corrupção que está soltando foguete com a decisão generosa e sob medida do STF.  País de merda!


GOVERNAR  Das prefeituras interioranas ao Palácio do Planalto é possível visualizar modos distintos de gerir a máquina pública, quer pelo estilo pessoal do mandatário ou ainda pelas circunstâncias do cenário. Alguns pecam pelo absolutismo de poder - outros pelos excessos de descentralização, o que pode ser visto como manifestações de fraqueza ou dúvidas, passando assim estado de  insegurança à opinião pública.


AMIGOS  Deve-se ou não governar cercado de amigos? Essa questão é complicada e enseja ponderações diversas para o leitor acolher aquela que entenda mais razoável. Claro que não há como governar com ajuda daqueles que foram derrotados, pois seria incoerência jamais perdoada pelos companheiros da campanha vitoriosa. Uma opção até plausível é optar pelos nomes capacitados tecnicamente.


SINCERO e direto o presidente José Sarney ( 1988): sentindo toda aquela pressão no cargo que lhe caiu no colo pela morte de Tancredo Neves, declarou publicamente: “Vou governar com os amigos, prestigiando os que me prestigiaram”. Se você olhar para os nomes escolhidos para os cargos mais importantes daquele período vai se certificar que ele não decepcionou os amigos. Muitos deles continuam  até hoje no entorno do poder.


EXEMPLO  de uma escolha técnica que realmente deu certo foi a iniciativa do ex-presidente Lula (PT) em convidar – em 2002 – Henrique Meirelles para a presidência do Banco Central. O interessante é que Meirelles acabara de se eleger deputado federal pelo PSDB de Goiás – o mais votado. Pesou na escolha o currículo intocável dele como ex-presidente do Banco de Boston.


COMPLICAÇÕES  O excesso de amigos no entorno de qualquer governo não é muito bom porque o governante não se sente à vontade para fazer tudo o que deve ser feito. O presidente Fernando H. Cardoso (PSDB) teve problemas com as rusgas entre os ministros Pedro Malam, José Serra e Sergio Mota.  A situação lembra o gerente  problemático escolhido pelo dono devido a amizade entre ambos. Essa intimidade inibe a autoridade de se criticar e demitir, diferentemente da relação com um estranho.


CASOS  atuais e antigos mostram que os amigos no poder acabam desencadeando disputas internas, fofocas e intrigas que trazem problemas ao governante.  Aliás, dizem até que os inimigos dariam menos trabalho porque estariam bem mais distantes do que os tais amigos. Mas esse tal fogo amigo não é coisa nova na vida pública. Alguns casos para refrescar a memória:


BENJAMIM Vargas e Gregório Fortunato empurraram o presidente Getúlio Vargas (PTB) para o abismo que desembocou no atentado contra a vida do jornalista Carlos Lacerda e o suicídio de Vargas. No Governo de Lula (PT) a crise do Mensalão não foi criada por adversários, mas sim por Roberto Jefferson – do PTB aliado de primeira hora do Planalto.  A ex-presidente Dilma (PT) caiu pela ação do aliado MDB – partido de seu vice presidente Michel Temer.


INIMIGOS Não há regra imutável na relação com eles. Vem da 2ª. Guerra o conceito clássico de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo’. Tudo porque a comunista União Soviética (URSS) de Stalin, aliou se aos Estados Unidos e ao Reino Unido para  enfrentar o poderoso Hitler da Alemanha Nazista. No fim do conflito a disputa pelo espólio Alemão mostrou que aquela união fora apenas circunstancial.


ARTICULADO  Convenhamos! Não é tarefa fácil atender a todos os colegas com direitos iguais num espaço que deve primar pela democracia. Ouvindo principalmente os deputados novatos percebo clima de concórdia na relação deles com a presidência da Casa. Portanto, caminha bem o deputado Paulo Correa (PSDB) nesta fase inicial de gestão  que  sempre foi caracterizada por excesso de reivindicações nem sempre possíveis. É a assembleia que elegemos.


UM SANTO  Henrique Alves (RN)  (cacique do MDB ungido pelo Espírito Santo) foi deputado 44 anos e foi preso por corrupção. Num comício em 2014 disse: “ deus me dizia como missão: Vá ser deputado federal. Eu fui, elegi 11 vezes. Nesta missão fui líder do MDB 7 vezes. Deus disse: vá aprender a dialogar, a convencer, a unir. Aí cheguei a presidência da Casa. Eu não entendia que era ele me incentivando, me empurrando.”


BELA VISTA Prefeito Reinaldo Piti (PSDB) revelando ao colunista que informará o ministro Mandeta da Saúde o atendimento oneroso a pacientes paraguaios, com o parto sendo o caso mais recorrente. Pedirá algum tipo de ajuda – é claro!  Satisfeito com o Governo Estadual, ele acompanha otimista os trâmites burocráticos que antecedem a implantação da fábrica de cimento na cidade. Pés no chão!  


NÚMEROS  da pesquisa do dia 4 de março num universo de 500 pessoas realizada pela empresa Ranking Comunicação & Pesquisas em Corumbá, de acordo com a Justiça Eleitoral, art. 13 – Lei 9.504/97 e do TSE nº 23.549/2017. Quando a pesquisa não motivar polêmica e críticas perderá o seu condão principal de motivar a opinião pública a debates e até reflexões.


ESTIMULADA  para prefeito: Bia Cavassa 20,40% - Evander Vendramini 8,20% -Marcelo Yunes 10,20% - Paulo Duarte 5,20%. Eleitores que não sabem ou não responderam 48,40%. REJEIÇÃO: Paulo Duarte 25,60%, Marcelo Yunes 14,80% - Evander Vendramini 8,20% - Bia Cavassa 7,40%. Eleitores que não sabem ou não votaram totalizaram 44%.


AVALIAÇÃO da atual administração municipal. Ótima e boa 19,20% - regular 41,40% - ruim/péssima 28,60% - não sabem ou não responderam 10,80%.  Já quanto ao questionamento dos principais problemas ou desafios da  cidade apareceram com destaque o desemprego - 56,40% - saúde 47,60 % - segurança 38,20% - infraestrutura 35,00% e Educação 33,40%.  


LAMENTÁVEL  o episódio da prisão do ex-prefeito Raul Freixes - de Aquidauana, condenado pela justiça por irregularidades no seu mandato. Esse rapaz  sempre foi apadrinhado por políticos influentes, mas infelizmente não tinha preparo e nem outras qualidades para esse cargo público. Não foi o primeiro e não será o último corrupto a ficar atrás das grades. É o aviso que vale para muitos por aí.


1-MAQUIÁVEL  Ganância: Pode-se dizer dos homens, de modo geral, que são ingratos, volúveis, dissimulados; procuram se esquivar dos perigos e são gananciosos. Injúrias: Devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, saboreando-as menos, ofendam menos: e os benefícios devem ser feitos pouco a pouco, a fim de que sejam mais bem saboreados.


2-MAQUIÁVEL Ser amado ou temido? “Chegamos assim à questão de saber se é melhor ser amado do que temido. A resposta é que seria desejável ser ao mesmo tempo amado e temido, mas que, como tal combinação é difícil, é muito mais seguro ser temido, se for preciso optar.” Todas as ponderações de Maquiável são atualíssimas.


A justiça brasileira é que nem espinho no chão. Só fura pé descalço. (Flavio Brandão)

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