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Com corte de mais R$ 1,44 bi, governo busca cumprir meta fiscal em 2019

Em março, o Executivo retirou R$ 29,7 bi da estrutura governamental. O chefe do Planalto disse que os cortes no orçamento foram obrigatórios

01/08/2019 - 10h34

De Brasília 

O Ministério da Educação foi um dos mais atingidos (Foto: Divulgação)

A decisão de contingenciar recursos de universidades e hospitais vai garantir que o governo encerre 2019 dentro da meta fiscal, com deficit de R$ 139 bilhões. Para isso, mais de R$ 31 bilhões foram cortados de ministérios. Agora, dizem especialistas, será necessário reduzir as despesas obrigatórias, como gastos com Previdência e pessoal, para garantir o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos. 


Em 2019, o governo prevê gastar R$ 630,8 bilhões com Previdência e R$ 324,6 bilhões, com pessoal e encargos sociais.


O contingenciamento anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro vai reter mais R$ 1,44 bilhão de ministérios. Em março, o Executivo retirou R$ 29,7 bi da estrutura governamental. O chefe do Planalto disse que os cortes no orçamento foram obrigatórios. 


“Se eu não fizer, vou para o impeachment”, comentou, referindo-se à ex-presidente Dilma Rousseff (PT), acusada de cometer pedaladas fiscais. “Não vamos pedalar, vamos cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, mas pegamos a União e estados quebrados”, emendou.


Para o diretor executivo da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado, Felipe Salto, o modelo de cortes foi exaurido e, agora, o jeito é reter os gastos com Previdência e pessoal — um estímulo, inclusive, para a aprovação da PEC nº 6/2019, que muda as regras previdenciárias no país e deve economizar quase R$ 1 trilhão em 10 anos. 


“A estratégia de contingenciar despesas discricionárias tem vida curta. É necessário fazer ajustes na despesa obrigatória, mudando a dinâmica. Se não, o risco de descumprimento da meta fiscal daqui para a frente é muito alto”, explica.


Felipe Salto acredita que a crise econômica pode servir como argumento para o Congresso acelerar a tramitação da reforma da Previdência, assunto que deve voltar às discussões no plenário da Câmara na semana que vem, quando acaba o recesso parlamentar. 


“É na crise que surgem as oportunidades. E surgiu o fato de a aprovação do texto ser absolutamente necessária neste momento.” Para Gil Castello Branco, fundador da ONG Contas Abertas, “mudanças são imprescindíveis para que o governo caminhe conforme a meta”.


Desde março, quando o governo anunciou um contingenciamento de R$ 29,7 bilhões em despesas previstas para 2019, na tentativa de atingir a meta fiscal, existe a possibilidade de novos cortes na estrutura governamental. Naquela ocasião, foram contingenciados R$ 5,8 bilhões da Educação, R$ 5,1 bilhões da Defesa e R$ 2,9 bilhões em emendas parlamentares. Isso motivou protestos pelo país em 15 de maio.


Em nova revisão orçamentária, o governo anunciou que, mesmo estimando um PIB mais baixo que anteriormente, vai recompor o orçamento de R$ 1,587 bilhão (bloqueados em maio) e liberou R$ 56 milhões para o Ministério do Meio Ambiente. Para isso, utilizou uma “reserva de contingência” do orçamento de 2019 — cerca de R$ 889 milhões.


As perdas


O contingenciamento, publicado pelo Diário Oficial da União (DOU), será de R$ 1,44 bilhão. Veja os ministérios mais afetados


Pasta Corte


Ministério da Cidadania — R$ 619,2 milhões

Ministério da Educação — R$ 348,5 milhões

Ministério da Economia — R$ 282,6 milhões

Ministério do Turismo — R$ 100 milhões

Ministérios da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações — R$ 59,8 milhões

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento — R$ 54,7 milhões

Ministérios das Relações Exteriores — R$ 32,9 milhões

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