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PIB cresce 0,4% no segundo trimestre, mais que o esperado

Em relação ao mesmo período de 2018, atividade econômica do País teve avanço de 1%, informou nesta quinta-feira o IBGE

29/08/2019 - 10h16

Agência Brasil

PIB cresce 0,4% no segundo trimestre, mais que o esperado (Foto: Fiems)

O PIB (Produto Interno Bruto), valor de todos os produtos e serviços produzido no País) registrou, no segundo trimestre, crescimento de 0,4%, resultado melhor que o esperado pelos analistas - alta de 0,2% em relação ao primeiro trimestre, segundo pesquisa do Projeções Broacast. 


Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira, 29, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Na comparação com o segundo trimestre de 2018, o crescimento foi de 1%.


O PIB da indústria subiu 0,7% no trimestre encerrado em junho em relação aos três meses anteriores e 0,3% na comparação com o mesmo período de 2018. Nos serviços, o aumento foi de 0,3% ante o primeiro trimestre e de 1,2% em relação ao segundo trimestre do ano anterior. 


A agropecuária registrou queda de 0,4% no segundo trimestre ante o primeiro e alta de 0,4% em relação ao mesmo período do ano passado.


A lentidão na recuperação da economia após a saída da recessão, no primeiro trimestre de 2017, é alimentada pela persistência do desemprego elevado, pela perda de produtividade e pelas incertezas políticas que travam o investimento.


As marcas da economia no primeiro semestre foram a crise na Argentina atingindo as exportações da indústria de transformação, especial a automobilística, a paralisação de minas após o rompimento da barragem da Vale em Brumadinho (MG) derrubando a indústria extrativa e o baixo nível dos investimentos.

Muitos economistas, de diferentes linhas teóricas, veem na falta de demanda, especialmente por causa do nível ainda baixo dos investimentos, a principal explicação para a estagnação no curto prazo. 


A continuidade nos cortes da taxa básica de juros (Selic, hoje em 6,0% ao ano) é defendida por muitos, mas há divergência sobre o uso ou não de outras medidas de estímulo.


Economistas como Marcos Lisboa, presidente do Insper, e o ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman não veem espaço para estímulos fiscais. O economista Eduardo Gianetti defendeu, em entrevista ao Estado, o uso dos recursos levantados pela venda da carteira de participações societárias do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para recuperar investimentos públicos.


Para o economista sênior da LCA Consultores Bráulio Borges, sem estímulos fiscais com foco nos investimentos, a economia seguirá crescendo pouco.


A lentidão da recuperação se deve também ao fato de que estudos indicam que reformas estruturais levam até dez anos para consolidar seus efeitos na economia, disse ao Estado, no último domingo, o economista-chefe do Banco Votorantim, Roberto Padovani. Além disso, a retomada atual não pode ser comparada com outras, dado o grau de devastação que a recessão deixou, atingindo em cheio setores como a construção pesada e petróleo e gás.


Na visão de Lisboa, que foi secretário de Política Econômica do antigo Ministério da Fazenda, de 2003 a 2005, a lentidão na aprovação de reformas estruturais é o principal motivo para a paralisia no crescimento econômico. Nesse ritmo, o Brasil "não vai voltar a crescer 3% de forma sustentável nos próximos anos", disse Lisboa, em entrevista ao Estado na terça-feira, dia 27.


Para piorar, uma luz amarela foi acesa na economia internacional, após os mercados globais reagirem negativamente a riscos de recessão mundial no último dia 14, na esteira da disputa comercial entre China e Estados Unidos. Isso se soma à crise econômica na Argentina, que vem sendo um peso na economia brasileira desde o segundo semestre de 2018 e tende a se agravar em meio às eleições presidenciais de outubro.


Na visão da economista Silvia Matos, coordenadora técnica do Boletim Macro Ibre, da FGV, o risco de recessão global é preocupante para o Brasil porque pode atingir em cheio a indústria de transformação e os investimentos. 


A indústria de transformação já era afetada pela redução de vendas para a Argentina, seu principal mercado, mas, com um "choque agregado", pode haver aumento do prêmio de risco do Brasil e alta do dólar, o que é "péssimo para o Brasil no sentido geral", disse Silvia ao Estado no último dia 15.

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