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Eleito com discurso anticorrupção, Witzel é acusado de caixa dois

Uma das delações é de Daniel Gomes da Silva, empresário que detinha contratos na área da Saúde do Estado.

10/01/2020 - 18h28

Rio

Wilson Witzel (PSL) pode ficar inelegível (Foto: Divulgação)

O governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), eleito com um discurso anticorrupção, ao Palácio Guanabara em 2018, é agora alvo de uma investigação por, supostamente, se beneficiar com doações ilegais para a campanha eleitoral. Ele é alvo de delações à Justiça sobre a movimentação de recursos ilegais, ao lado de políticos como Leonardo Picciani (MDB) e Cândido Vacareza (Avante).


Uma das delações é de Daniel Gomes da Silva, empresário que detinha contratos na área da Saúde do Estado. Ela traz conversas de WhatsApp, áudios de reuniões com o ex-governador Ricardo Coutinho (Paraíba, onde teve início a investigação), a quem atribui o papel de líder da organização criminosa instalada na administração do Estado.


Silva também diz que chegou a fazer doações de R$ 1 milhão para a campanha de João Azevedo (atual governador da Paraíba), e que o atual governador manteve a ‘espinha dorsal’ dos esquemas, ao nomear os secretários de Coutinho. O atual governador anunciou sua saída do PSB, em dezembro, e está sem partido.


A investigação que culminou com a citação de Witzel ganhou o nome de Calvário quando teve inicio ainda na Paraíba. Em dezembro último, o ex-governador Ricardo Coutinho (PSB) teve a prisão preventiva decretada, mas foi rapidamente posto em liberdade por decisão do STJ.


Delação


No que diz respeito ao governador do Rio, surge na conversa uma referência à doação de R$ 115 mil via caixa dois. Daniel, o empresário delator, diz “ter estabelecido uma relação de confiança” com Robson dos Santos França – o Robinho, então assessor do senador Arolde de Oliveira (PSD/RJ) — e teria tratado ‘em diversos períodos eleitorais sobre ajuda financeira”, afirma relatório vazado à mídia conservadora, nesta sexta-feira.


“Assim aconteceu à época em que ele trabalhou nas campanhas do Arolde de Oliveira à Deputado Federal e, ainda, quando ele trabalhou na campanha do Antônio Pedro Índio da Costa à Prefeitura do Rio de Janeiro no ano de 2016, logo após assessorá-lo na Secretaria Municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação da Prefeitura no governo de Marcelo Crivella”, acrescenta.


O nome de Crivella não aparece como beneficiário da delação.


Denúncias


Em outubro de 2018, já no segundo turno, o delator diz ter sido procurado por Robson, que pediu recursos à campanha de Witzel. As tratativas foram, em parte, feitas pelo WhatsApp, e as mensagens foram entregues pelo empresário à Procuradoria-Geral da República.


Num trecho do depoimento, Daniel revela o teor da conversa com Robson sobre doações a Witzel e Arolde:


— Robson enviou pelo aplicativo ‘WhatsApp’ diversas fotos com o candidato Witzel e com Arolde, informações sobre o apoio ao candidato ao Governo do Estado, bem como me solicitou ajuda financeira para campanha, afirmando que Witzel tinha crescido muito nas pesquisas e que, se ele ganhasse a eleição, a ajuda financeira me abriria portas junto ao governo do Estado — disse o delator.


Caixa dois


Perguntado sobre as denúncias, Witzel respondeu via assessoria:


“Robson dos Santos França, assessor do senador Arolde de Oliveira citado na referida delação, não trabalhou na campanha do governador Wilson Witzel. Todas as informações sobre a campanha foram prestadas à Justiça Eleitoral e as contas foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral. A campanha de Wilson Witzel não teve caixa dois e o governador condena tais práticas”, conclui a nota. As informações são do Correio do Brasil.

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