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Morre aos 100 anos o ex-governador Wilson Martins

Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, ele foi o primeiro presidente da OAB/MS, lutando pelos direitos de presos políticos.

13/02/2018 - 11h13

Campo Grande

Ex-governador Wilson Martins (Foto: Divulçgação )

O ex-governador Wilson Barbosa Martins morreu na manhã desta terça-feira (13) aos 100 anos. A informação foi confirmada pela família. Ainda não há detalhes sobre o velório, informa o portal de notícias Topmídianews.


Filho de Henrique Martins e de Adelaide Barbosa Martins, o ex-governador nasceu em 21 de junho de 1917, em Campo Grande, no então estado uno do Mato Grosso. Formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, ele foi o primeiro presidente da OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil), lutando pelos direitos de presos políticos.


Conforme o CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil), ele trabalhou como secretário-geral da prefeitura de Campo Grande e, em 1945, fundou a UDN (União Democrática Nacional) em Mato Grosso. Nessa legenda, foi eleito suplente do senador João Vilasboas em 1954, mas não chegou a exercer o mandato, até que se elegeu prefeito de Campo Grande em 1958.


Em 1966, Wilson assumiu mandado de deputado federal, participando de importantes investigações como a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do ex-território do Acre, a CPI da Indústria da Borracha, a do Sistema Bancário e a sobre vendas a crédito. Isso até a ditatura militar, quando teve o mandato parlamentar cassado e os direitos políticos suspensos por dez anos pelo Ato Institucional nº 5, em 1965.


Finalmente, em 1979, filiou-se ao PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), sendo eleito governador do recém-criado Mato Grosso do Sul três anos depois. Ainda de acordo com o CPDOC, em 1987, foi escolhido através do voto para ocupar a primeira vaga de senador do Estado, deixando Ramez Tebet em seu lugar no Governo.


Como parlamentar votou a favor do mandado de segurança coletivo, da proteção ao emprego contra a demissão sem justa causa, do turno ininterrupto de seis horas, do aviso prévio proporcional, da unicidade sindical, da soberania popular, do voto aos 16 anos, da nacionalização do subsolo, entre outros projetos importantes para o país.


Foi ele também o responsável por aprovar a abertura de processo de impeachment contra o então presidente Fernando Collor de Melo e, anos depois, em outubro de 1994 foi novamente eleito governador do Mato Grosso do Sul. Na época, assumiu um estado cheio de dívidas e com salários atrasados, tendo que renegociar os débitos para colocar o governo nos trilhos.


Considerado um gestor mais à ‘esquerda’, em antagonismo a seu principal adversário, Pedro Pedrossian, Wilson Barbosa foi responsável por privatizar a antiga Enersul (Empresa Energética do Estado do Mato Grosso do Sul), hoje Energisa, e garantiu a pavimentação de 2,5 mil quilômetros de rodovias, sendo lembrado como um dos melhores administradores do Estado.


Em 2008, arriscou a escrever um livro de memórias que, dividido em 12 capítulos, conta episódios importantes da história de Campo Grande, de Mato Grosso do Sul e do Brasil. Intitulado “Memória: Janela da História”, Wilson Barbosa relembrou fatos, curiosidades e chegou a brincar que só deixou de fora “as malandragens” que não podia revelar. Com legado indiscutível, o ex-governador deixa saudades no coração de MS.

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