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Simone Tebet tenta manter hegemonia do MDB no Senado

Em dezoito legislaturas desde 1985, partido garantiu a presidência da Casa 15 vezes; PFL/DEM ficou com as outras três

17/01/2021 - 07h38

De Brasília 

Simone Tebet disputará presidência do Senado (Foto: Waldemir Barretoa/Agência Senado )

Apesar de ter saído atrás na disputa por votos no Senado, o MDB busca manter uma supremacia com larga vantagem sobre todas as legendas concorrentes nessa disputa. A candidatura de Simone Tebet à presidência da Casa foi oficializada na última terça-feira (12).


Desde 1985, com a redemocratização do país, foram 18 eleições, 15 vencidas pelo PMDB (nome anterior do hoje MDB). As três únicas exceções ficaram com o PFL/DEM, duas vezes com Antonio Carlos Magalhães (BA), em 1997 e 1999, e a terceira com Davi Alcolumbre, político do Amapá que encerra em fevereiro sua gestão.


E é bem provável que a cadeira fique de novo com MDB ou DEM na eleição de 1º de fevereiro. Simone Tebet, senadora do Mato Grosso do Sul, tem como principal rival em 2021 Rodrigo Pacheco, senador do DEM de Alagoas lançado ainda no ano passado como candidato. Um terceiro pleiteante à vaga, Major Olimpio (PSL-SP), corre por fora e tem poucas chances.


De acordo com o pesquisador Rafael Moreira Mucinhato, doutor pelo programa de pós-graduação em Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo), o atual MDB é a legenda "que melhor entendeu como funciona o presidencialismo de coalização".


Além disso, analisa o professor, soube aproveitar sua força nos estados para se manter importante no Congresso década após década.


Mucinhato explica que duas alas, com estratégias diferentes para o partido, disputam poder desde sua refundação, em 1979.


"Uma queria que o PMDB tivesse protagonismo nos cargos do Executivo, que lançasse candidatos a presidente da República. Já o outra defendia o foco no Legislativo, com a briga centrada nas mesas diretoras, para ter peso em todos os governos."


Ele diz que essa segunda ala tem vencido a maior parte dos embates. Um de seus expoentes, Michel Temer (SP), chegou à Presidência da República após o impeachment da petista Dilma Rousseff, em 2016.

Sobre Temer, uma curiosidade contada pelo cientista político. Ele tomou posse como presidente do partido em 11 de setembro de 2001. E por que será que quase ninguém foi cobrir o evento? O mundo inteiro só pensava em Nova York e nas Torres Gêmeas naquele dia.


"A chegada do Temer à Presidência da República foi a consolidação do poder dessa ala governista", afirmou Mucinhato.


Apesar de ter ocupado o cargo mais alto do Executivo, a tendência é que o partido volte a se concentrar em estados e municípios.


Ninguém tem a capilaridade do MDB e dificilmente algum partido vai conseguir tanta abrangência



O cientista político diz que é melhor esperar o resultado de 1º de fevereiro antes de se falar no eventual favoritismo de Rodrigo Pacheco.


"O MDB deu a volta por cima mais de uma vez", contou, justificando que a capacidade de articulação do partido é imensa, mesmo com a redução de parlamentares da legenda, observada nas últimas eleições.

O deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG) (Foto: Câmara dos Deputados)

De acordo com a tese, o apogeu da sigla ocorreu na década de 1980. A eleição de 1985 deixou a bancada do partido com maioria absoluta nas duas Casas: 53,4% dos deputados federais foram eleitos pela legenda, assim como 62,5% dos integrantes do Senado.


Na última eleição que mexeu com a configuração do Congresso Nacional, em 2018, o PMDB conquistou o maior número de cadeiras novamente, mas perdeu 7, caindo de 19 para 12 das 81 vagas.


A situação se repete na Câmara, com o partido sendo o maior derrotado em 2018: caiu de 66 eleitos em 2014 para 34 em 2018.


De qualquer maneira, a força da legenda vem de uma base que fica bem longe de Brasília. Começa com um pedido de um vereador de um pequeno município a um prefeito. Esse se junta a outros gestores municipais e conversa com um governador. Esse último, por fim, pressiona o senador de seu estado a escolher a legenda na eleição da Casa.


Presidência da República não é seu forte


A história da sigla pode ser dividida em duas fases bem claras, diz Mucinhato, que usou o partido como tema de sua tese de doutorado, na USP, "Dos autênticos aos governistas: gênese e trajetória do PMDB (1979 e 2002)".


"A partir do final dos anos 1990, a atuação do PMDB no sistema político-partidário mudou bastante, passando do protagonismo ao pano de fundo. Se nos anos de 1985, 1989 e 1994 o partido lançou candidatos próprios à Presidência, da eleição de 1998 até as de 2014 o partido não mais adotou esse comportamento, ora não formalizando uma coligação com qualquer outra candidatura (como em 1998 e em 2006), ora as compondo como candidatos à vice-presidência da República coligado a candidatos do PSDB (como em 2002) ou do PT (2010 e 2014)", diz um trecho do estudo.


O cientista político acrescenta que sempre que o PMDB tentou disputar a eleição presidencial sozinho, obteve resultados ruins. Ulysses Guimarães foi sétimo colocado em 1989, Oreste Quércia foi quarto em 1994 e Henrique Meirelles, em 2018, teve apenas 1,2% dos votos, ficando na sétima posição no pleito vencido por Jair Bolsonaro, do então incipiente PSL.


Aliado do PSDB e amigo do PT


Uma característica que ajudou o MDB a ser um sucesso em todos os cantos do Brasil, elegendo não só muitos representantes no Congresso Nacional, mas também governadores, prefeitos, deputados estaduais e vereadores, foi sua heterogeneidade. Dentro dele cabem esquerda, centro e direita.(R7)

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