A diretoria da escola de samba Império de Casa Verde afirmou na tarde desta quarta-feira que a agremiação não pode ser responsabilizada pela confusão que ocorreu na apuração do Carnaval.
Ontem, quando as últimas notas das escolas eram lidas, um homem com a camisa da escola invadiu o palco da apuração, agrediu o locutor com um chute, roubou e rasgou o envelope com as notas.
Tiago Ciro Tadeu Faria, 29, foi preso e será indiciado sob suspeita de crimes de dano ao patrimônio e supressão de documentos.
Segundo o advogado da escola, Eduardo Moraes, Faria não pertence à diretoria da Império e é apenas um torcedor, que desfilou pela primeira vez neste ano.
| Paulo Fischer-21.fev.12/Futura Press |
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| Tiago Ciro Tadeu Faria, 29, preso após invadir a apuração |
Ele afirma que Faria estava na arquibancada, onde ouviu uma história de que havia um acordo entre os dirigentes das escolas para que nenhuma fosse rebaixada neste ano. Como a apuração já estava se encerrando e não foi dito nada, ele se revoltou e tomou a atitude.
Imagens feitas antes da confusão, porém, mostram Faria sentado na mesa da diretoria da Império. O advogado disse não saber como ele entrou lá, nem como conseguiu a pulseira que dá acesso ao local.
ACORDO
Além de Faria, foi preso ontem Cauê Santos Ferreira, 20, da Gaviões da Fiel --acusado de chutar os troféus durante a confusão.
Segundo a polícia, Faria disse em depoimento que havia um "acordo de cavalheiros" para que nenhuma escola caísse para o Grupo de Acesso. "Houve um conluio das diretorias de todas as escolas, com o intuito de melar a apuração. Tinham feito um acordo de que nenhuma escola seria rebaixada. Pelo acordo, isso seria anunciado, mas como chegou na última nota e ninguém falou nada, resolveram agir", disse o delegado Luís Fernando Saab, da Deatur (delegacia do turista).
| Apu Gomes-21.fev.12/Folhapress | ||
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| Carro alegórico da Pérola Negra é incendiado após confusão na apuração dos votos do Carnaval em São Paulo |
Hoje, o presidente da Liga Independente da Escolas de Samba de São Paulo, Paulo Sérgio Ferreira, negou em entrevista ao "SPTV", da TV Globo, qualquer acordo para que não houvesse rebaixamento.
Segundo Ferreira, também presidente da Unidos de Vila Maria, a única decisão tomada durante reunião com as escolas foi sobre a validade ou não das notas de jurados suplentes, e a maioria decidiu que elas iam ser consideradas.
Jurados dos quesitos samba-enredo e mestre-sala e porta-bandeira foram substituídos por suplentes na quinta-feira (16), um dia antes do início dos desfiles do Grupo Especial. Um dos jurados disse que não podia participar porque seria jurado no Rio, e o outro alegou motivos "emocionais". Segundo a Liga, a troca foi informada às escolas por e-mail.
PUNIÇÃO
O regulamento do Carnaval de São Paulo prevê a eliminação das escolas de samba que provocarem confusão durante a apuração das notas.
Sobre a punição, o presidente da Liga disse que "se tiver dentro estatuto, as agremiações vão pagar pelos atos cometidos".
Segundo imagens da confusão, integrantes com roupas das escolas Império de Casa Verde, Camisa Verde e Branco, Gaviões da Fiel e Vai-Vai foram flagrados nos tumultos.