Com as cheias do rio Doce no início de janeiro, 207 jacarés-de-papo-amarelo fugiram de um criadouro em Linhares (ES). Os animais estavam num galpão próximo ao rio, que foi inundado pela enchente. Quando a água subiu, os jacarés, que eram filhotes com menos de 50 cm, conseguiram escapar nadando pelos vãos entre as grades na parte superior do viveiro.
A fuga só foi percebida no começo dessa semana. Os filhotes se dispersaram na região da lagoa Juparanã, frequentada por banhistas.
Segundo a superintendência do Ibama no Espírito Santo, não há riscos para quem toma banho na lagoa, pois não tem registros de ataques de jacarés a pessoas. A espécie de jacaré-de-papo-amarelo é comum na região, bem como outras espécies do animal.
Por se tratar de um jacaré nativo, também não serão feitas buscas, pois não há como identificar quais foram os animais que fugiram do viveiro.
O Ibama informa que o criadouro era regular e funcionava dentro dos padrões.
O dono do viveiro, João Ailto Dal'Col, disse que não pretende recuperar os animais.
"Foi um mal para mim, mas um bem para a natureza", afirma.
Segundo ele, só restaram sete jacarés filhotes no viveiro e o prejuízo para a criação é estimado em R$ 29 mil.
Dal'Col não pretende abandonar a criação dos animais, pois ainda há 465 jacarés adultos na fazenda. Os jacarés são criados para produzir carne e couro, e o preço por animal abatido pode chegar a R$ 280, de acordo com o criador.
Segundo ele, o jacaré-de-papo-amarelo não ataca, e foge das pessoas.