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Política & Boquinhas, Poder & Vaidade

30/12/2022 - 10h20

Manoel Afonso

DESVIO:  Sobre  a presença do PT no Governo Estadual existem  as boas relações entre Riedel e o deputado Vander Loubet (PT)  que por sua vez faria as vezes de  interlocutor com o Planalto. Se Zeca promete oposição, Vander adota o silêncio, concordância sintomática às propostas de Riedel quanto aos cargos oferecidos aos petistas.  Quem cala...


SOBREVIVENTE:  Vander reeleito para o 6º mandato. Construiu canais de acesso aos ministérios e órgãos em Brasília, garantindo a liberação de recursos para municípios e entidades diversas. Ex-chefe de gabinete do seu tio (Zeca), ele se cacifou, com estílo pessoal, vencendo inclusive denúncias de suspeitas de corrupção.


DESAFIO: Sem radicalizar, o Governo Lula conseguirá despolarizar o quadro político brasileiro? Recorro à pesquisa recente da Genial-Quaest – “O Brasil que queremos” para mostrar que 9 em cada 10 brasileiros entendem que o Brasil saiu ainda mais dividido do último pleito.  Parte se reconhece como anti-PT (40%) ou pró-PT (35%). E agora José?


MEMÓRIA:  O PT elegeu os governadores da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. Ao Senado 4 eleitos e para a Câmara 19 vencedores. Pelos nomes dos integrantes do Governo Lula teremos os mesmos métodos das gestões petistas anteriores. Só Lula tem a última palavra de decisão e só tem projeto de poder. O mercado financeiro e o empresariado em alerta.


SIMONE:  Sem  o Banco do Brasil e Caixa E. Federal, com os petistas enciumados, ela terá dificuldades no seu ministério. O desafio é tentar abater Fernando Haddad, o candidato favorito do PT à sucessão de Lula. Aliás, os petistas já torcem o nariz com a  tese.  Mas sem espaço no MS - ela apostou no desafio em nome da sobrevivência.


DUAS VAGAS:  Em 2025 na disputa para duas vagas do Senado (Nelsinho e Soraya) e dependendo do cenário o MDB  lançaria Simone como postulante. Mas o clima no MDB é de 7º dia com disputa entre herdeiros. Agora é preciso ver se o desempenho de Eduardo Rocha no Governo Riedel e da própria futura ministra criem ambiente para as projeções citadas.  


TRAD-PSD: Qual o futuro do partido e da Família Trad na política? A partir de 2023 a situação se delineia. Primeiro é preciso ver onde vai dar esse imbróglio de Marquinhos? Segundo, qual a postura de Fabio Trad? Volta a advocacia e fica à espreita do cenário? O senador Nelsinho assumirá o comando e fortalece o grupo ao seu redor  no Estado? Essas situações políticas não se resolvem da noite para o dia. Exigem astúcia e paciência. 


FIRME-FORTE: Pífios os finais de mandato de alguns ex-governadores. Salários atrasados, professores nas ruas, funcionários na governadoria, obras abandonadas  e críticas na Assembleia Legislativa. Mas Reinaldo Azambuja está saindo de peito aberto e com o prestígio lá em cima. Até seus adversários que derrotou recentemente admitem seu bom desempenho. Fez a lição de casa e ficou com crédito junto a população.


EDUARDO RIEDEL:  A forma como venceu as eleições, o bom estado financeiro e administrativo do Estado que está assumindo, só aumenta sua responsabilidade. Riedel sabe que a comparação com seu antecessor é inevitável e imediata. Será o preço a pagar. Além do mais, a  sua notória condição como gestor será mais um argumento para aquele eleitor ou contribuinte crítico.  O poder tem esse lado chato. Faz parte.


1-‘BOQUINHAS’: Nesta fase que antecede novas administrações as ‘boquinhas’ representam o mais puro objeto de desejo de uma abundância de políticos e de agentes ligados ao poder. O fato é que isso ocorre desde os tempos do ‘Brasil Colônia’ –  com amparo legal e em nome da oxigenação do poder. Sempre foi assim, sempre será.


2-‘BOQUINHAS’: Elas existem; das pequenas prefeituras ao Palácio do Planalto. Essas nomeações – políticas e técnicas – nem sempre são unanimidades junto a opinião pública por motivos diversos. São os cargos comissionados (de confiança) destinados a funcionários de carreira e pessoas ligadas a partidos políticos aliados e entidades de destaque nas eleições.


3-‘BOQUINHAS’:  Recorrendo a história dos grandes reinados vamos verificar a disputa por cargos, muitas vezes incompatíveis com a qualificação temerária de seus ocupantes. Mas desde essa época valia muito mais o aspecto político do que o preparo do escolhido. O critério – era o mesmo daquele usado atualmente – ou seja: o tal ‘QI’ (quem indica).


4-‘BOQUINHAS’:  Serão nada menos que 9.587 cargos comissionados, além de agencias reguladores, universidades, institutos e Banco Central que o Governo Lula terá a disposição. Desse total, 60% das posições serão ocupadas por servidores de carreira e o resto de livre escolha. Trata-se de herança legal transmitida de Governo para Governo.


5-‘BOQUINHAS’: Como está escrito na bíblia: “Felizes os escolhidos...”. Além do status que o cargo proporciona, há em muitos casos vantagens financeiras oceânicas e com amparo na legislação. Essa disputa – acirrada nos bastidores – deverá continuar mesmo após a posse do Presidente e Governadores. Isso faz parte do contexto político.


SORTE & AZAR:  Ao longo do tempo observando de perto o universo político e seus protagonistas de vários naipes, posso definir a política como uma atividade de oportunidades. É certo que em certo momento há uma bifurcação onde a escolha do caminho a seguir decide tudo - pela competência, sorte ou mesmo pelas circunstâncias.


1-BALANÇO: Quantos personagens qualificados na iniciativa privada não reprisaram o sucesso na política? A explicação talvez esteja nos detalhes onde nem sempre os preceitos da ética são equiparados a lei. Isso explicaria a pecha de que a política seria ‘coisa do diabo’. Aliás, sobre poder e vaidade, nas cenas finais do filme ‘Advogado do Diabo’ é manifesta a presença das tentações satânicas em nossas vidas.  


2-BALANÇO: A política e a vaidade integram a vida do homem desde as cavernas.  Livros sagrados navegam nestas águas.  No fundo a política exala esse perfume  embriagante – tão criticado, mas muito mais desejado. Pelos exemplos que conheço nesta caminhada, comungo com a tese de que a ‘a política só tem uma porta – de entrada’.


3-BALANÇO: Todos os atuais mandatários deixaram o mundo real quando  sucumbiram aos encantos da política.  Eles não negam essa espécie de transposição de universo. Os vitoriosos embriagados com as perspectivas sem limites – já os derrotados refazendo planos para tentar o caminho da volta.  Poucos se readaptam a rotina do anonimato. 


4-BALANÇO: Dois personagens nota 10: Antônio Ermírio de Moraes e Lúdio Coelho. Ricos, honestos, bem intencionados. Mas a iniciativa deles tem outro lado:  o reconhecimento público que massageia o ego - fator motivacional no homem. Da  rotina dos  mortais comuns,  acabaram atraídos para a política. E o resultado final de cada um  deles é conhecido.   


ANO NOVO: Hora de reflexão, de aperfeiçoar o que deu certo e corrigir o errado. Bom momento para resgatar amizades, fortalecer os laços familiares, aproximar da vizinhança e perdoar quem nos magoou: o patrão, o colega de trabalho ou o parente. Esses propósitos têm que ser levados a sério, antes que seja tarde demais. Faça isso e durma melhor!


“A VAIDADE É, DEFINITIVAMENTE, MEU PECADO PREDILETO”. (O DIABO)

( do filme ‘O Advogado do Diabo’)

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