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Salário de 63% dos brasileiros não paga as despesas básicas no fim do mês

A metodologia da pesquisa classificou os gastos pessoais em três tipos: essenciais, necessários e supérfluos

30/11/2023 - 07h25

São Paulo

63% dos trabalhadores não conseguem pagas as contas básicas no fim do mês (Foto: Ilustrativa)

Mais de 60% dos trabalhadores com carteira assinada encerram o mês sem conseguir pagar contas básicas com o salário recebido. É o que aponta a terceira edição do levantamento “Hábitos e Impactos da Saúde Financeira dos Trabalhadores”, realizada pelas fintechs Zetra e SalaryFits, em parceria com a empresa de pesquisas On The Go.


A parcela de 63% que afirmaram não ter recursos suficientes para comprar ou pagar o básico, contudo, é menor do que a de 2021, quando 66% das pessoas enfrentavam essa dificuldade durante a pandemia de covid-19. Em 2019, o percentual era de 58%.


A metodologia da pesquisa classificou os gastos pessoais em três tipos: essenciais, necessários e supérfluos.


Os custos essenciais incluem moradia (aluguel, condomínio), alimentação básica, saúde, higiene, impostos, energia elétrica, internet, gás, transporte, manutenção da casa e seguros. São precisamente esses gastos que, no fim do mês, muitos brasileiros não têm dinheiro para cobrir.


Nos consumos necessários, estão a gasolina do carro, a assinatura de uma TV a cabo, por exemplo, ou de uma plataforma de streaming.


No último grupo, das despesas com supérfluos, estão a renovação da academia ou do clube, viagens, artigos de luxo, tratamentos estéticos e bebidas alcoólicas.


O estudo mostra que as condições financeiras do trabalhador impactam negativamente na saúde física e mental. Mais da metade dos trabalhadores entrevistados se dizem estressados (58%) quando enfrentam a falta de dinheiro no fim do mês. Outra consequência é aumento de irritabilidade em casa (44%), diminuição da atenção (44%) e menor produtividade (34%).


E, então, vem o endividamento


Dentre os trabalhadores entrevistados que se veem sem recursos para comprar ou pagar o básico, 24% recorrem ao cartão de crédito ou buscam algum trabalho paralelo. Outros 16% recorrem ao cheque especial, que possui uma taxa média de juros de 7,96% ao mês, para complementar a renda. E 10% apelam para empréstimos bancários para cobrir suas despesas.


Em relação ao levantamento anterior, a quantidade de pessoas que afirmam estar passando por problemas financeiros passou de 20%, em 2021, para 33%, este ano.


Dos entrevistados que buscaram instrumentos de crédito para dar conta das despesas 52% ficou negativada nos serviços de proteção ao crédito, nos últimos 12 meses. “Um dado preocupante que demonstra que o perfil da dívida e opções mais sustentáveis têm papel central no equilíbrio financeiro das famílias”, destaca o relatório.


Os ricos também choram


A pesquisa revela, ainda, que a falta de planejamento financeiro também afeta as classes altas, que possuem renda familiar acima de 20 salários mínimos, atualmente, equivalente a pouco mais de R$ 26 mil.

Na classe A, 55% dos entrevistados afirmaram estar enfrentando dificuldades para chegar ao fim do mês com dinheiro no bolso. Destes, 66% são mulheres e 47% são jovens até 30 anos.


Paliativos?


Para contornar o problema financeiro de seus funcionários, as empresas participantes do levantamento afirmaram estar investindo em educação financeira, além de aumentar a oferta de benefícios pessoais e familiares.


“As empresas estão percebendo que o remédio para aliviar a situação não está em aumentar ou não o salário, mas sim ensinar a pessoa a gerenciar bem o que ela recebe”, aponta o economista Flávio Náufel do Amaral, presidente comercial da Zetra.


Segundo Amaral, as pessoas educadas economicamente, desde o nível “fundamental” até o “avançado”, saberão diferenciar gastos, investimentos e supérfluos, e como utilizar seu salário da melhor forma.


"Para auxiliar nessas questões, 87% dos trabalhadores consideram que os RHs podem ajudá-los em assuntos econômicos. De acordo com a pesquisa, a maioria [29%] acredita em programas de educação financeira. Na sequência há o interesse em crédito com juros mais baixos [28%], e acompanhamento psicológico [16%]", aponta Délber Lage, presidente da SalaryFits.


Entre os benefícios que complementam a renda dos trabalhadores, o vale-refeição e o vale-alimentação continuam sendo os benefícios mais oferecidos, com 66% das empresas adotando-os.


Em segundo e terceiro lugares, respectivamente, estão o plano de saúde e odontológico (56%) e o adiantamento de salário (30%). As opções incluem ainda participação nos lucros e seguro de vida, residencial e automóvel (26%); acesso a produtos de crédito bancário (25%); convênios com universidades, escolas e cursos de idiomas (24%); convênios com academias de ginástica (22%); e previdência privada (20%).


Ainda assim, a maioria (52%) dos entrevistados afirmam que os benefícios oferecidos pela empresa não atendem às suas necessidades financeiras. (Com g1)_

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