O vice-presidente da DFB (Federação Alemã de Futebol), Oke Gottlich, afirmou que é preciso "debater seriamente" a possibilidade de um boicote em massa à Copa do Mundo desse ano, nos EUA, em função das ações de Donald Trump, em especial a sua tentativa de anexar a Groenlândia . As falas do dirigente foram dadas em uma entrevista ao jornal alemão Hamburger Morgenpost.
— Chegou a altura de considerar e debater seriamente a possibilidade de uma retirada em massa do Campeonato do Mundo — defendeu Gottlich, membro do Comité Executivo da DFB e presidente do St. Pauli, clube da Bundesliga.
Gottlich relembrou os boicotes às Olimpíadas de 1980, em Moscou, eem 1984, em Los Angeles, como reflexo da Guerra Fria.
— Na minha avaliação, a ameaça potencial agora é maior do que era então. Temos de discutir isto — disse o dirigente.
Ele ainda criticou as diferentes posturas das entidades esportivas a depender da situação, mesmo que envolva política
— O Catar era demasiado político para todos, e agora somos completamente apolíticos? É uma coisa que me incomoda verdadeiramente. Como organizações e como sociedade, esquecemos de como estabelecer tabus e limites e como defender valores. Os tabus são uma parte essencial da nossa postura. Um tabu é quebrado quando alguém ameaça? Um tabu é quebrado quando alguém ataca? Quando pessoas morrem? Gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando é que atingiu o seu limite, e gostaria de saber, da parte de Bernd Neuendorf (presidente da Federação Alemã de Futebol), e Gianni Infantino (presidente da FIFA).
Governo defende autonomia para Federação de Futebol decidir sobre boicote
A ideia de um boicote, por parte da Alemanha, vem sendo comentada por parlamentares locais. Nessa semana, o governo alemão afirmou que a Federação Alemã de Futebol (DFB) terá total "autonomia" para discutir com a Fifa se boicotará ou não a Copa do Mundo. O presidente americano ameaça anexar a Groenlândia e aumentar as tarifas contra os países europeus que se opuserem ao plano.
"Essa avaliação, portanto, cabe às federações envolvidas, neste caso a DFB e a Fifa. O governo federal acatará a decisão delas", afirmou a Secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein, em um comentário enviado por e-mail à AFP.
A AFP questionou o governo sobre a possibilidade de um boicote à Copa do Mundo, que será realizada no Canadá, nos Estados Unidos e no México, de 11 de junho a 19 de julho.
— O governo federal respeita a autonomia do esporte. As decisões relativas à participação em grandes eventos esportivos ou a boicotes são de responsabilidade exclusiva das federações esportivas, e não da esfera política — afirmou Schenderlein, membro da CDU, partido conservador do chanceler Friedrich Merz.
"Se Donald Trump cumprir suas ameaças em relação à Groenlândia e desencadear uma guerra comercial com a União Europeia, acho difícil imaginar os países europeus participando da Copa do Mundo", declarou o influente deputado conservador Roderich Kiesewetter ao jornal Augsburger Allgemeine nesta terça-feira.
Outro deputado da CDU, Jürgen Hardt, porta-voz do partido para a política externa, disse ao jornal Bild que o "cancelamento do torneio" seria um "último recurso para fazer o presidente Trump cair em si". Apelando por uma "resposta unificada" da Europa, o deputado social-democrata (SPD) Sebastian Roloff mencionou ao jornal econômico Handelsblatt a possibilidade de "considerar a retirada da Copa do Mundo".
De acordo com uma pesquisa do INSA (Instituto Nacional de Estatística) realizada para o Bild na quinta e sexta-feira com 1.000 pessoas, quase metade dos alemães (47%) aprovaria um boicote à Copa do Mundo caso Washington anexasse a Groenlândia. Mais de um terço (35%) se oporia.
Tetracampeã mundial, a seleção alemã não perde uma Copa do Mundo desde o período imediatamente posterior à Segunda Guerra Mundial (1950). Donald Trump tem uma relação próxima com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que lhe entregou o recém-criado Prêmio da Paz da Fifa durante o sorteio da Copa do Mundo em dezembro. (Com O Globo)
