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Ferro-velho vira alvo em megaoperação contra mercado de cobre roubado

Fiscalização mira comércios suspeitos de alimentar a cadeia do furto e tenta sufocar o mercado clandestino que deixa a cidade às escuras.

Conjuntura Online
01/02/26 às 10h34
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Agentes de segurança durante a operação. (Foto: Divulgação)

Por trás de postes apagados, semáforos fora do ar e bairros às escuras, existe um mercado clandestino que movimenta milhares de reais por mês em Campo Grande.

Para desmontar essa engrenagem, a Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande deflagrou uma ofensiva direta contra o submundo da reciclagem irregular: a Operação Ferro-Velho.

Em apenas dois dias, a ação espalhou viaturas, motos e agentes armados por pontos estratégicos das regiões do Prosa, Centro e Anhanduizinho, transformando ferro-velhos em alvos de um verdadeiro cerco policial.

Ao todo, 36 guardas, 19 viaturas e equipes especializadas vasculharam estabelecimentos suspeitos de alimentar a cadeia do furto de cobre e fiação elétrica.

A investida fiscalizou 13 comércios do ramo reciclável, setor frequentemente apontado como destino final de materiais roubados de prédios públicos, empresas de telefonia, iluminação urbana e até tampas de bueiros.

O secretário especial de Segurança e Defesa Social, Anderson Gonzaga, afirma que a operação marca uma virada na política de combate a esse tipo de crime na Capital.

“As operações ferro-velho são prioridade em 2026. Vamos ampliar ainda mais essa fiscalização para sufocar o mercado ilegal de cobre e fiação, que causa prejuízos diretos à cidade”, afirmou.

Segundo ele, além da repressão criminal, o alvo também é a parte administrativa dos estabelecimentos, que muitas vezes funcionam sem documentação, registros de procedência ou alvará.

Empresários flagrados fora da lei podem responder por receptação, sofrer multas de até R$ 10 mil e até ter o comércio interditado.

Durante a varredura em um ferro-velho no Centro, os agentes localizaram uma bicicleta sem qualquer comprovação de origem. O objeto foi apreendido e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol).

No total, foram aplicadas cinco notificações administrativas por irregularidades, principalmente pela ausência do livro obrigatório de registro de materiais.

“Quem compra, alimenta o crime”

Para o subcomandante da GCM, Alexandre Pedroso, o problema vai muito além do ferro-velho.

“Quando alguém compra cobre roubado, está financiando o crime. Esses furtos geram prejuízos enormes, deixam bairros no escuro, danificam sistemas públicos e colocam a população em risco”, alertou.

Segundo ele, as operações estão sendo estendidas para todas as sete regiões urbanas da cidade, com o objetivo de quebrar o elo entre o furto e a revenda ilegal.

A ofensiva contou com apoio da Polícia Civil, Polícia Militar, Semades, Sesau, Vigilância Sanitária, Sefaz, além de concessionárias de energia e empresas de telefonia e internet.

A Guarda reforça que a população é peça-chave nesse combate. Denúncias podem ser feitas pelo 153, de forma anônima.

“O recado é claro: Campo Grande não vai mais tolerar que o crime se esconda atrás de portas de ferro e placas de reciclagem”, concluiu a corporação.

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