Por trás de postes apagados, semáforos fora do ar e bairros às escuras, existe um mercado clandestino que movimenta milhares de reais por mês em Campo Grande.
Para desmontar essa engrenagem, a Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande deflagrou uma ofensiva direta contra o submundo da reciclagem irregular: a Operação Ferro-Velho.
Em apenas dois dias, a ação espalhou viaturas, motos e agentes armados por pontos estratégicos das regiões do Prosa, Centro e Anhanduizinho, transformando ferro-velhos em alvos de um verdadeiro cerco policial.
Ao todo, 36 guardas, 19 viaturas e equipes especializadas vasculharam estabelecimentos suspeitos de alimentar a cadeia do furto de cobre e fiação elétrica.
A investida fiscalizou 13 comércios do ramo reciclável, setor frequentemente apontado como destino final de materiais roubados de prédios públicos, empresas de telefonia, iluminação urbana e até tampas de bueiros.
O secretário especial de Segurança e Defesa Social, Anderson Gonzaga, afirma que a operação marca uma virada na política de combate a esse tipo de crime na Capital.
“As operações ferro-velho são prioridade em 2026. Vamos ampliar ainda mais essa fiscalização para sufocar o mercado ilegal de cobre e fiação, que causa prejuízos diretos à cidade”, afirmou.
Segundo ele, além da repressão criminal, o alvo também é a parte administrativa dos estabelecimentos, que muitas vezes funcionam sem documentação, registros de procedência ou alvará.
Empresários flagrados fora da lei podem responder por receptação, sofrer multas de até R$ 10 mil e até ter o comércio interditado.
Durante a varredura em um ferro-velho no Centro, os agentes localizaram uma bicicleta sem qualquer comprovação de origem. O objeto foi apreendido e encaminhado à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Cepol).
No total, foram aplicadas cinco notificações administrativas por irregularidades, principalmente pela ausência do livro obrigatório de registro de materiais.
“Quem compra, alimenta o crime”
Para o subcomandante da GCM, Alexandre Pedroso, o problema vai muito além do ferro-velho.
“Quando alguém compra cobre roubado, está financiando o crime. Esses furtos geram prejuízos enormes, deixam bairros no escuro, danificam sistemas públicos e colocam a população em risco”, alertou.
Segundo ele, as operações estão sendo estendidas para todas as sete regiões urbanas da cidade, com o objetivo de quebrar o elo entre o furto e a revenda ilegal.
A ofensiva contou com apoio da Polícia Civil, Polícia Militar, Semades, Sesau, Vigilância Sanitária, Sefaz, além de concessionárias de energia e empresas de telefonia e internet.
A Guarda reforça que a população é peça-chave nesse combate. Denúncias podem ser feitas pelo 153, de forma anônima.
“O recado é claro: Campo Grande não vai mais tolerar que o crime se esconda atrás de portas de ferro e placas de reciclagem”, concluiu a corporação.
