Os protestos que tomam conta da Bolívia desde a semana passada seguem impactando o deslocamento de viajantes e mantêm oito turistas brasileiros retidos em La Paz desde a última quarta-feira (7), sem qualquer previsão de retorno ao Brasil, informa reportagem do G1MS.
O grupo, que havia saído de Cusco, no Peru, tinha como destino final Mato Grosso do Sul, mas a viagem foi interrompida por bloqueios em rodovias próximas à capital boliviana.
Com as estradas fechadas por manifestações, os brasileiros ficaram impedidos de seguir viagem e precisaram permanecer na capital do país. Até o momento, não há informações oficiais sobre a liberação das vias, o que prolonga a permanência forçada do grupo em La Paz.
De acordo com a publicação, uma das passageiras, que preferiu não se identificar, relatou que a situação é de total instabilidade. Segundo ela, diante da impossibilidade de prosseguir de ônibus, o grupo decidiu descer do veículo e caminhar cerca de 15 quilômetros até conseguir algum tipo de transporte que os levasse à capital. “Tá um caos aqui na Bolívia, principalmente em La Paz. Ontem o grupo resolveu sair do ônibus e ir a pé até uma cidade próxima. Andamos 15 km”, contou.
Ainda de acordo com a turista, houve tentativas de deixar o país tanto pela rodoviária quanto pelo aeroporto, mas sem sucesso. “Não encontramos ônibus disponíveis e também não há voos”, afirmou, destacando a dificuldade logística enfrentada pelos viajantes em meio ao cenário de protestos.
Do total de turistas, seis são de Campo Grande e dois de Dourados. A chegada ao Mato Grosso do Sul estava prevista para a sexta-feira (9), por volta das 18h, mas o retorno permanece indefinido diante da continuidade dos bloqueios e da falta de alternativas de transporte.
As manifestações no país se intensificaram após o governo boliviano suspender os subsídios aos combustíveis, medida que fez os preços da gasolina e do diesel dobrarem. Segundo os manifestantes, o aumento elevou significativamente o custo de vida e encareceu produtos básicos, levando ao bloqueio de rodovias em diversas regiões desde a terça-feira (6).
Desde dezembro, atos vêm sendo organizados pela COB (Central Operária Boliviana), maior central sindical do país. Nos últimos dias, os protestos ganharam força com a adesão de camponeses e professores, ampliando a mobilização e agravando os impactos sobre o transporte e a circulação no território boliviano.
