O que por anos foi um dos principais desafios da saúde pública começa a mudar de forma consistente em Campo Grande. Em 2025, o município alcançou o menor índice de gravidez na adolescência da última década, consolidando uma tendência de queda que se intensificou nos últimos dois anos e colocou a Capital abaixo das médias estadual e nacional.
Até outubro, 9,58% dos nascidos vivos foram de mães entre 10 e 19 anos. O número representa uma redução expressiva em relação a 2024 (10,42%) e um recuo ainda mais significativo se comparado a 2015, quando o índice chegou a 16,03%.
Ao todo, entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 10.055 nascidos vivos, sendo 959 de mães adolescentes.
A redução é resultado de uma combinação de fatores que vão além de campanhas pontuais. Nos bastidores da rede municipal de saúde, o município vem promovendo uma reorganização estrutural da Atenção Primária, com foco no fortalecimento do pré-natal, no acompanhamento precoce das gestantes e na ampliação do acesso a métodos contraceptivos.
Esse movimento ganha ainda mais relevância durante a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, realizada de 1º a 8 de fevereiro, que reforça ações educativas e preventivas em todo o país.
Reorganização da rede e foco na prevenção
Desde julho de 2024, Campo Grande integra o PlanificaSUS, iniciativa que recebe apoio técnico do Hospital Israelita Albert Einstein e atua diretamente na qualificação dos processos da rede municipal. Na prática, o programa promove ajustes na rotina das equipes de saúde da família, reorganiza fluxos de atendimento e fortalece a integração entre a atenção básica e os serviços especializados.
Segundo o especialista de projetos do Hospital Albert Einstein, Dorival Pereira Junior, o trabalho vai além da teoria.
“Trabalhamos junto com as equipes para que elas reconheçam oportunidades de melhoria nos seus próprios processos, como o cadastro da população e o acompanhamento das gestantes no território. Isso permite programar melhor o cuidado, otimizar recursos e alcançar maior estabilidade clínica, reduzindo internações e a procura por pronto-socorro”, explica.
Um dos eixos centrais dessa reorganização é a qualificação do pré-natal e o cuidado com gestantes de alto risco, com a integração mais eficiente entre as unidades básicas e os ambulatórios especializados. O município também avança na reestruturação do serviço responsável por esse atendimento, buscando mais agilidade e resolutividade.
Para a superintendente de Atenção Primária à Saúde da Sesau, Ana Paula Resende, os resultados refletem uma mudança na forma de organizar o cuidado.
“Os dados positivos são fruto de um trabalho técnico consistente, que une planejamento, capacitação das equipes e apoio institucional de uma referência como o Hospital Albert Einstein. O PlanificaSUS tem sido fundamental para qualificar o pré-natal, fortalecer a atenção materno-infantil e reduzir agravos evitáveis”, afirma.
Outro indicador que reforça esse avanço é a expansão do acesso a métodos contraceptivos de longa duração. Em 2025, o município realizou 457 inserções de implante subdérmico, crescimento de 657,5% em relação ao ano anterior. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, foram 192 procedimentos, um aumento de 2.300% em comparação a 2024.
Além do implante, a rede municipal segue ofertando DIU de cobre e hormonal, preservativos, pílulas, injeções mensais e trimestrais, laqueadura e vasectomia, garantindo atendimento individualizado conforme a realidade de cada paciente.
Para o Hospital Albert Einstein, a experiência em Campo Grande mostra como o apoio institucional pode fortalecer o SUS.
“Levamos nossa experiência em gestão, organização de processos e melhoria da assistência para diferentes realidades do país, sempre respeitando o contexto local. Campo Grande tem avançado de forma consistente nesse caminho”, conclui Dorival.
