A corrida pelas duas vagas ao Senado por Mato Grosso do Sul nas eleições de outubro de 2026 começa a ganhar contornos de uma das disputas mais estratégicas do próximo pleito.
Em um cenário marcado pela polarização nacional e pela reorganização das forças políticas no Congresso, o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) desponta como principal nome na largada, liderando as pesquisas de intenções de voto e reunindo um arco robusto de apoios políticos.
Azambuja conta com o respaldo explícito do governador Eduardo Riedel (PP), seu sucessor no comando do Estado, além do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), indicado pelo pai, Jair Bolsonaro (PL), como pré-candidato à Presidência da República.
O alinhamento sustenta a leitura de que a candidatura do ex-governador integra um projeto mais amplo de fortalecimento do campo conservador no Congresso Nacional.
Mais do que uma disputa regional, a eleição para o Senado em 2026 carrega peso decisivo no redesenho institucional do país.
A Casa Alta exerce influência direta sobre temas sensíveis da vida pública nacional, funcionando como instância de equilíbrio entre os Poderes, com atribuições que vão da análise de indicações estratégicas do Estado à condução de processos políticos de grande repercussão.
Entre essas competências, está a análise de pedidos de impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), pauta que se tornou central para setores da direita.
No discurso bolsonarista, a eleição de 2026 é tratada como decisiva para viabilizar esse tipo de processo, tendo como principais alvos o ministro Alexandre de Moraes, no contexto do chamado caso Master, e também o ministro Dias Toffoli.
Esse argumento é reforçado por episódios que alimentam a narrativa de crise institucional, como a apuração do desvio estimado de R$ 6,3 bilhões de contas de aposentados e pensionistas do INSS.
Por isso, garantir uma bancada afinada com determinada visão de país é visto como fundamental pelas principais forças políticas, especialmente aquelas ligadas à direita.
Nesse contexto, o bolsonarismo trabalha para ampliar sua presença no Senado, apostando em nomes com densidade eleitoral e histórico administrativo, capazes de dialogar com bases conservadoras e, ao mesmo tempo, transitar pelo centro político.
MS no cenário nacional
Em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja surge como símbolo desse projeto, graça as suas duas gestões de excelência à frente do Parque dos Poderes, apoiado por lideranças que veem na sua experiência de governo um ativo eleitoral relevante, incluindo prefeitos, ex-prefeitos e parlamentares.
A proximidade com o governador Eduardo Riedel aponta para um cenário de continuidade administrativa e estabilidade política, fator que pesa na avaliação do eleitorado.
Além disso, o apoio de Flávio Bolsonaro conecta a disputa local ao cenário nacional, inserindo Mato Grosso do Sul no tabuleiro das articulações presidenciais.
Apesar da liderança do ex-governador, o cenário é competitivo e reúne um leque amplo de pré-candidatos.
Entre os nomes colocados estão o senador Nelsinho Trad (PSD), que tentará a reeleição; a senadora Soraya Thronicke (Podemos); o deputado federal Vander Loubet (PT); o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Gerson Claro (PP); a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira (PL); e o ex-deputado estadual Renan Contar, o Capitão Contar (PL).
Também é citado nos bastidores o nome de Jaime Verruck (PSD), atual secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, que pode entrar no páreo dependendo das articulações partidárias.
Simone Tebet fora?
O nome da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), também é citado como possível candidata ao Senado por Mato Grosso do Sul, o que acrescenta um componente nacional à disputa. A eventual entrada, porém, encontra um entrave na estratégia do Palácio do Planalto.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem demonstrado preferência para que a ministra concorra ao governo de São Paulo, por considerar seu perfil competitivo em um dos maiores colégios eleitorais do país. A definição sobre o futuro político de Simone tende a impactar diretamente o cenário da eleição em Mato Grosso do Sul.
