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Economia

Brasil tem 38,8 milhões de informais e governo enfrenta pressão por empregos

Apesar da queda do desemprego para 5,2%, mais de um terço dos trabalhadores brasileiros continua sem vínculo formal; dados levantam questionamentos sobre o alcance das políticas de formalização

Conjuntura Online
30/10/26 às 08h50
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IBGE divulgou a taxa oficial de desemprego em setembro. (Foto: Reprodução)

O Brasil chegou ao trimestre encerrado em setembro com 38,8 milhões de trabalhadores na informalidade, um contingente que expõe uma das principais dificuldades do mercado de trabalho: transformar o aumento da ocupação em empregos com proteção trabalhista e previdenciária.

O número corresponde a 37,5% da população ocupada, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (30), mostra que o desemprego caiu para 5,2%, atingindo o menor patamar para um terceiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012. Ainda assim, 5,6 milhões de brasileiros permanecem desempregados.

A combinação dos indicadores coloca em discussão os resultados das políticas de geração de emprego e formalização adotadas pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Embora a redução do desemprego seja um resultado positivo, a permanência de quase 39 milhões de trabalhadores informais mostra que a ampliação das vagas não resolveu os problemas estruturais do mercado de trabalho.

Informalidade continua sendo desafio

Trabalhadores informais incluem empregados sem carteira assinada, trabalhadores domésticos sem registro, profissionais por conta própria sem CNPJ e outras categorias que atuam fora das condições formais de contratação.

Essa situação pode significar ausência de benefícios como férias remuneradas, 13º salário e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), além de dificuldades de acesso à proteção previdenciária, dependendo da forma de ocupação e da contribuição individual.

Os dados também mostram que o número de empregados do setor privado com carteira assinada permaneceu estável, em aproximadamente 39,4 milhões. Já os trabalhadores sem carteira somam cerca de 13,7 milhões, enquanto os profissionais por conta própria chegam a 26,1 milhões.

A estabilidade do emprego formal, mesmo com o crescimento da população ocupada, reforça a necessidade de examinar não apenas quantas pessoas estão trabalhando, mas também em quais condições.

Políticas do governo sob análise

O governo federal tem adotado medidas de fiscalização trabalhista e combate à informalidade. Segundo informações oficiais, em 2025 foram identificados 160,5 mil trabalhadores sem registro durante inspeções, dos quais 36,7 mil tiveram os vínculos formalizados.

Para 2026, a administração federal anunciou a intenção de ampliar a fiscalização e fortalecer mecanismos de regularização dos vínculos de emprego.

A dimensão da informalidade, entretanto, mostra que essas ações ainda alcançam apenas uma parcela do problema. A discussão envolve também a estrutura produtiva brasileira, os custos de contratação, a qualificação profissional e as condições econômicas que influenciam a criação de empregos formais.

Os números não permitem atribuir a informalidade exclusivamente às decisões do atual governo, uma vez que o problema atravessa diferentes administrações. Também não demonstram, isoladamente, que as políticas adotadas tenham fracassado. Indicam, porém, que a formalização permanece como uma questão importante a ser enfrentada.

Desalento cresce apesar da queda do desemprego

Outro dado que chama atenção é o aumento da população desalentada, formada por pessoas que gostariam de trabalhar, mas desistiram de procurar emprego por acreditarem que não conseguiriam uma oportunidade.

Esse grupo chegou a 2,5 milhões de brasileiros, com crescimento de 7,5% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a aproximadamente 171 mil pessoas.

A população subutilizada, que reúne desempregados, trabalhadores com jornadas inferiores às desejadas e pessoas com potencial para trabalhar que estão fora da força de trabalho, alcançou 14,8 milhões.

Os indicadores mostram que a queda da taxa oficial de desemprego não elimina outras dificuldades enfrentadas por quem procura trabalho ou precisa aumentar a renda.

Renda cresce, mas desigualdades persistem

O rendimento médio mensal dos trabalhadores chegou a R$ 3.790, com aumento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025.

A população ocupada alcançou 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica, enquanto a massa total de rendimentos atingiu R$ 387,5 bilhões.

O crescimento da ocupação e da renda representa uma melhora em indicadores importantes da economia. Ao mesmo tempo, a elevada informalidade e o aumento do desalento demonstram que a redução do desemprego não encerra o debate sobre a qualidade das vagas disponíveis.

Para os próximos anos, o desafio do governo será ampliar o acesso ao trabalho formal, especialmente entre os brasileiros que dependem de ocupações sem registro ou de atividades por conta própria para garantir o sustento familiar. (Exame e Revista Oeste)

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