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Baleada por PM, mulher trans morre no dia do aniversário

Identificada como Gabriella, vítima morreu na noite de segunda-feira (16), após ser baleada pela Polícia Militar durante uma confusão na Avenida Calógeras

Conjuntura Online
17/02/26 às 07h30
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Mulher trans apontou arma a policial durante briga. (Foto: Câmeras de segurança)

A morte de Gabriella, mulher trans baleada durante uma abordagem policial na região central de Campo Grande, marcou de forma trágica a segunda-feira (16), data em que ela completava mais um ano de vida.

O caso, segundo reportagem do G1MS, ocorreu na Avenida Calógeras, área comercial da Capital, e será investigado.

De acordo com informações da Polícia Militar, a equipe realizava patrulhamento de rotina quando tentou intervir em uma discussão no cruzamento com a Rua 15 de Novembro.

Durante a abordagem, houve luta corporal e, nesse momento, a arma de um dos policiais teria caído. Conforme a versão apresentada pela corporação, Gabriella teria pegado o revólver e apontado em direção aos militares, ocasião em que foi atingida por disparos.

Ela foi socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e encaminhada para atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.

O policial responsável pelos tiros declarou ter efetuado três disparos. Já o irmão da vítima, Vitor de Paula Rodrigues do Nascimento, afirmou que uma médica da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) informou que Gabriella teria sido atingida por quatro tiros. A divergência será apurada no inquérito.

Em entrevista, Vitor relatou que a irmã enfrentava dependência química havia cerca de quatro a cinco anos, situação que, segundo ele, se agravou após a morte da mãe. “Eu fiz de tudo para tirar ela dessa vida. Ela já foi internada, inclusive fora do Estado, mas não queria continuar o tratamento”, afirmou. Ele contou ainda que Gabriella costumava frequentar o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Cetremi) e mantinha vínculo com pessoas atendidas no local.

Uma amiga relatou à família que Gabriella trabalhava e planejava comemorar o aniversário na noite do ocorrido. Para o irmão, a morte interrompeu qualquer possibilidade de recomeço. “Eu sempre falava para ela tentar sair dessa vida. Ela tinha um temperamento forte, mas era minha irmã”, disse.

A Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul (ATTMS) divulgou nota lamentando a morte e cobrando apuração rigorosa do caso.

Em comunicado oficial, a Polícia Militar informou que os procedimentos operacionais padrão foram seguidos e que será instaurado Inquérito Policial Militar para esclarecer todas as circunstâncias da ocorrência, como ocorre em casos que envolvem disparo de arma de fogo por integrantes da corporação.

O caso segue sob investigação.

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