Presente na rotina de milhões de pessoas, o café pode ter efeitos que vão além de espantar o sono. Uma análise científica publicada na revista Nutrients relacionou o consumo moderado da bebida a menor risco de morte e ao desenvolvimento de algumas doenças crônicas.
Os pesquisadores reuniram resultados de diferentes estudos já publicados para avaliar os efeitos do café e da cafeína sobre a saúde.
Entre os achados, o consumo de três a cinco xícaras por dia apareceu associado a benefícios para a longevidade e para o sistema cardiovascular.
Segundo Farin Kamangar, responsável pela análise, consumidores moderados apresentam risco cerca de 15% menor de desenvolver doenças cardiovasculares.
Os trabalhos avaliados também encontraram associação entre o hábito de beber café e menor ocorrência de diabetes tipo 2.
Os resultados não significam, porém, que aumentar indiscriminadamente a quantidade de café trará mais benefícios. Os efeitos podem variar conforme fatores como genética, quantidade consumida e hábitos de vida.
Efeitos vão além da cafeína
A análise também relaciona a bebida a efeitos sobre o desempenho físico, metabolismo e inflamação. Entre os resultados observados estão maior disposição para exercícios, aumento da oxidação de gordura durante a atividade física e melhora de alguns indicadores da função pulmonar.
Outro ponto analisado foi a relação com o câncer. As evidências reunidas não apontaram aumento geral do risco da doença entre consumidores de café. Para alguns tipos de tumor, como o câncer de endométrio, estudos anteriores chegaram a encontrar associação com redução de risco.
Os benefícios relacionados ao diabetes tipo 2 também foram observados em estudos envolvendo café descafeinado, indicando que os possíveis efeitos positivos não dependem exclusivamente da cafeína.
Exagero pode ter efeito contrário
Se por um lado o consumo moderado aparece associado a benefícios, o excesso continua exigindo cautela. Grandes quantidades de cafeína podem provocar insônia, ansiedade e outros efeitos indesejados, especialmente em pessoas mais sensíveis.
Por isso, a faixa de três a cinco xícaras diárias aparece na análise como referência de consumo moderado. A quantidade adequada, entretanto, pode variar de uma pessoa para outra.
Os pesquisadores também destacam que estudos desse tipo identificam associações entre hábitos e condições de saúde. Isso não significa, isoladamente, que beber café seja responsável por evitar doenças ou aumentar a expectativa de vida.
