O delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa e outros sete policiais civis foram afastados das funções nesta sexta-feira (25), durante investigação sobre um esquema de desvio de drogas apreendidas para abastecer o tráfico em Mato Grosso do Sul.
Hoffman já foi titular da Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) e atualmente estava lotado na Delegacia de Terenos.
De acordo com reportagem do Correio do Estado, ele se apresentou à Corregedoria-Geral da Polícia Civil na tarde de quinta-feira (24), depois de não ter sido localizado durante o cumprimento do mandado pela manhã, e foi preso preventivamente.
A investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado), do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), apura a suspeita de que agentes públicos desviavam drogas recolhidas em operações policiais, principalmente cocaína, e repassavam o entorpecente para traficantes ligados ao grupo investigado.
Segundo a apuração, parte da droga apreendida deixaria de ser registrada oficialmente. Em outras situações investigadas, entorpecentes teriam sido retirados diretamente de depósitos de delegacias. Depois, o material seria devolvido ao mercado ilegal.
Além de Hoffman, foram afastados os investigadores Luiz Carlos de Souza, Douglas Tobias, Neverson Vieira de Araújo, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Nilton César Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva e Marcos André Santos Chaves.
Sem arma e acesso aos sistemas
Com o afastamento, Hoffman fica impedido de exercer as funções enquanto perdurar a prisão. A determinação também prevê o recolhimento da arma e da carteira funcional, além de outros bens públicos que estejam em poder do delegado.
Os acessos aos sistemas utilizados pela polícia também devem ser bloqueados. A medida tem efeito desde quinta-feira, quando o mandado de prisão foi cumprido.
A Delegacia de Terenos, onde Hoffman estava lotado, ficará temporariamente sob responsabilidade de Bárbara Camargo Alves, delegada adjunta da 2ª DP (Segunda Delegacia de Polícia) de Campo Grande. A designação vale de 24 de setembro a 23 de outubro.
Esquema teria policiais como fornecedores
A Operação Infiltrados foi deflagrada após investigações iniciadas em outubro de 2025, a partir de elementos encontrados nas operações Traquetos e Blindspot.
O que chama atenção na investigação é justamente a função atribuída aos agentes públicos. Segundo o MPMS, policiais que deveriam atuar no combate ao crime são suspeitos de usar a estrutura e as informações obtidas no exercício do cargo para beneficiar o tráfico.
A investigação também aponta suspeitas de monitoramento de locais usados para armazenar cocaína, consultas a veículos em sistemas oficiais e repasse de informações a traficantes.
A operação teve 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 de busca e apreensão expedidos para cumprimento em Campo Grande, Dourados e Terenos.
Hoffman e os demais investigados ainda não foram condenados pelos fatos apurados na Operação Infiltrados. Após a prisão, a defesa do delegado afirmou que ele foi surpreendido pelas acusações e que aguardava acesso aos autos para conhecer os detalhes da investigação.
