Em meio às reclamações sobre ruas esburacadas e à crescente pressão pela qualidade dos serviços de tapa-buracos em Campo Grande, uma fiscalização surpresa do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) encontrou falhas na usina responsável pela produção da massa asfáltica utilizada nos reparos da Capital.
A vistoria ocorreu na quarta-feira (4) e levantou questionamentos sobre o controle do material destinado às obras.
A inspeção foi realizada na usina do Consórcio Central, onde os auditores constataram problemas na pesagem dos caminhões que transportam o asfalto.
A unidade não possui balança própria e utiliza o equipamento de uma empresa vizinha, situação que, segundo os técnicos, dificulta a conferência da quantidade de material efetivamente transportada.
A descoberta aumenta os questionamentos sobre um serviço que acumula reclamações da população. Além da precariedade de diversas ruas, a durabilidade dos reparos também está sob avaliação, diante de relatos de buracos que reaparecem após a execução dos trabalhos.
Para verificar a qualidade do asfalto, os fiscais coletaram amostras de matérias-primas e da massa pronta, que passarão por análises laboratoriais. O objetivo é identificar se a composição do material atende às exigências técnicas e oferece resistência suficiente para suportar o tráfego de veículos e as condições climáticas.
A fiscalização também será estendida às ruas, onde serão examinados os procedimentos de preparação do pavimento, aplicação da massa e compactação. Os auditores pretendem verificar ainda se a capacidade de produção da usina corresponde à demanda contratada pela prefeitura.
Tapa-buracos também está na mira de CPI
A fiscalização ocorre em um momento de desgaste da administração municipal diante das condições da malha viária. Na Câmara de Campo Grande, vereadores já reuniram assinaturas para a abertura de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) destinada a investigar possíveis irregularidades nos contratos e na execução dos serviços de tapa-buracos.
O requerimento da comissão aponta que, das 24.673 indicações encaminhadas pelos vereadores à prefeitura no primeiro semestre de 2026, quase 9 mil estavam relacionadas à necessidade de reparos nas ruas.
Outro ponto questionado é a redução dos recursos previstos para a modernização e recuperação das vias urbanas, que passaram de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões em 2026, queda próxima de 70%.
A prefeitura, por sua vez, informou que o contrato com o Consórcio Central não exige balança própria na usina. Segundo a administração, os pagamentos são realizados mediante comprovantes de pesagem emitidos por equipamentos aferidos pelo Inmetro.
O município afirmou ainda que acompanhará os apontamentos do Tribunal de Contas e prestará os esclarecimentos solicitados.
Os resultados das análises e da fiscalização serão reunidos em relatório técnico, que poderá fundamentar novas medidas de controle e eventuais responsabilizações, caso sejam confirmadas irregularidades.
Enquanto isso, a situação das ruas continua sendo motivo de reclamações dos moradores, que convivem com buracos, riscos de acidentes e prejuízos aos veículos, apesar dos serviços de manutenção realizados na cidade.
