Depois de meses de reclamações da população sobre ruas esburacadas, a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) poderá enfrentar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a operação tapa-buracos em Campo Grande.
O pedido ganhou força na sexta-feira (16), quando 24 dos 29 vereadores assinaram o requerimento de abertura da investigação.
O avanço ocorre em meio à insatisfação dos moradores com as condições do asfalto, problema que se arrasta por diferentes regiões da Capital.
Além dos transtornos no trânsito e dos prejuízos aos motoristas, os parlamentares querem esclarecer por que os reparos não têm apresentado resultados satisfatórios, apesar dos recursos destinados ao serviço.
A proposta, apresentada em agosto pela vereadora Luiza Ribeiro (PT), prevê a apuração de possíveis irregularidades em contratos, pagamentos e execução dos trabalhos, além da redução dos investimentos em manutenção viária.
Um dos pontos que deverão ser analisados é a queda na previsão orçamentária para modernização e recuperação das vias, de mais de R$ 132 milhões em 2025 para pouco mais de R$ 40 milhões em 2026, redução próxima de 70%.
A dimensão das reclamações também aparece nos registros da Câmara. Das 24.673 indicações encaminhadas ao Executivo municipal no primeiro semestre deste ano, quase 9 mil foram pedidos de tapa-buracos.
A discussão ganhou ainda mais peso após a Operação Buraco Sem Fim, deflagrada em maio pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que investigou suspeitas de fraudes em medições e pagamentos por serviços de manutenção asfáltica. A apuração identificou contratos e aditivos que somaram aproximadamente R$ 113,7 milhões entre 2018 e 2025. A investigação criminal não significa, por si só, envolvimento da prefeita nas irregularidades.
Requerimento
Apesar do apoio expressivo dos vereadores, a CPI ainda não está oficialmente instalada. O requerimento será analisado pela Procuradoria Jurídica da Câmara e deverá cumprir os procedimentos regimentais antes da abertura dos trabalhos. A previsão inicial é de 120 dias de investigação.
Enquanto isso, o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos, André de Moura Brandão, foi convocado para prestar esclarecimentos na próxima terça-feira (20). Ele deverá responder aos questionamentos sobre a execução dos reparos e as medidas previstas para enfrentar a deterioração das ruas.
Caso seja instalada, a comissão poderá ampliar a fiscalização sobre os contratos e as decisões administrativas relacionadas à manutenção das vias durante a gestão de Adriane Lopes. O objetivo será esclarecer como os recursos públicos estão sendo utilizados e por que o problema continua entre as principais queixas dos campo-grandenses.
