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Política

Após receber 2,9 milhões de votos, Deltan chora e acusa ministro do TSE de censura

Ex-procurador questiona restrições impostas à campanha, critica ligação de magistrado com Moraes e aguarda decisão que pode anular sua eleição ao Senado

Conjuntura Online
08/10/26 às 17h23
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O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol. (Foto: Reprodução)

O ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo) voltou a criticar o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) nesta quinta-feira (8), após conquistar 2,9 milhões de votos na disputa pelo Senado no Paraná e continuar sem a confirmação definitiva de sua eleição.

Em vídeo publicado nas redes sociais, ele chorou, fez referências religiosas e acusou um ministro da Corte de ter prejudicado sua campanha.

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o tribunal deveria analisar a situação eleitoral do ex-procurador. O julgamento, entretanto, foi retirado da pauta e poderá ser retomado na próxima terça-feira (13).

Durante a gravação, Deltan responsabilizou o ministro Floriano de Azevedo Marques pelas restrições impostas à sua candidatura na reta final da campanha. Ele afirmou que foi impedido de disputar a eleição em condições de igualdade e sugeriu que a decisão teria favorecido adversários políticos.

O ex-procurador também mencionou a proximidade do magistrado com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), além de destacar que Floriano foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Deltan classificou as restrições como censura e afirmou que elas poderiam beneficiar a deputada Gleisi Hoffmann (PT), que também disputava uma vaga no Senado. A parlamentar terminou a eleição na quarta colocação, com aproximadamente 1,5 milhão de votos. As acusações de favorecimento político não foram comprovadas.

Eleição pode ser anulada

Apesar da votação expressiva, Deltan ainda depende de uma decisão definitiva do plenário do TSE para assumir o mandato. A controvérsia envolve sua elegibilidade, questionada com base na Lei da Ficha Limpa.

Em 2023, o ex-procurador perdeu o mandato de deputado federal após o tribunal entender que sua saída do MPF (Ministério Público Federal), em 2021, ocorreu para evitar possíveis consequências de procedimentos disciplinares.

Na ocasião, não havia processo administrativo disciplinar formalmente instaurado contra ele, mas a Justiça Eleitoral considerou que investigações em andamento poderiam resultar na abertura de um procedimento.

A situação voltou a ser discutida nas eleições deste ano, quando partidos adversários contestaram seu registro de candidatura e defenderam que a inelegibilidade permaneceria válida até 2029.

Na véspera da votação, uma decisão de Floriano determinou a anulação dos votos destinados ao candidato. A medida foi posteriormente suspensa pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, permitindo que os votos fossem contabilizados enquanto o plenário não resolvesse a questão.

Deltan cita Deus e promete continuar disputa
Em outro momento do vídeo, Deltan demonstrou confiança em um desfecho favorável e afirmou que continuará lutando pelo reconhecimento de sua eleição. Ao mencionar passagens bíblicas, disse acreditar que a disputa terá um resultado positivo, mesmo diante da possibilidade de uma nova votação.

O ex-procurador também já havia mencionado a possibilidade de apoiar sua esposa, Fernanda Dallagnol (Novo), ou o aliado Paulo Martins (Novo), caso seja impedido definitivamente de assumir a cadeira.

Se o plenário confirmar sua inelegibilidade, os 2,9 milhões de votos recebidos poderão ser anulados, abrindo caminho para uma nova eleição à vaga no Senado.

Até lá, a definição sobre o mandato permanece nas mãos do TSE, que ainda não estabeleceu uma data definitiva para concluir o julgamento

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