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Depois do fiasco, PT vai lançar programa de 'reconstrução nacional'

Fragmentado, partido tenta se reerguer fazendo oposição radical ao governo

10/09/2020 - 10h24

De Brasília 

O ex-presidente Lula discursa durante evento em Recife, no dia 17 de novembro (Foto: Adriano Machado/Reuters)

Depois do fiasco, o comando nacional do PT (Partido dos Trabalhadores) vai lançar um programa de "reconstrução nacional". Mergulhado em crise interna  e fragmentado desde que deixou o poder, o partido que coleciona um calhamaço de denúncias de corrupção, incluindo as condenações do ex-presidente Lula, tenta se reerguer fazendo oposição radical ao governo. 


Segundo lideranças do partido, os dois passos fazem parte do mesmo movimento para recolocar o PT no papel de oposição natural a Bolsonaro.


A próxima etapa, afirmam lideranças petistas, é aproveitar o horário de TV dos candidatos do PT às eleições municipais de novembro como espaço para Lula amplificar suas críticas ao governo federal. Por ordem do ex-presidente, o PT terá um número recorde de candidatos nas cidades com segundo turno - 85 em um total de 95 municípios.


O programa elaborado pela Fundação Perseu Abramo sob a coordenação do ex-ministro Aloizio Mercadante, "diverge frontalmente", segundo o PT, "dos caminhos trilhados pelo governo Bolsonaro em temas relacionados à economia e à democracia, além de sugerir políticas públicas em áreas que vão de meio ambiente, saúde, educação e cultura". No texto em que anuncia o programa, o partido usa a expressão "oposição propositiva".


Embora tenha a assinatura do PT, afirma o partido, o programa contempla sugestões de outras siglas de oposição, como PDT, PSOL, Rede, PSB e PCdoB. O mote do programa, colocado por Lula em pronunciamento no dia 7, é "Vamos juntos reconstruir o Brasil".


A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, afirmou que o texto será apresentado para debate com as demais forças de oposição. "O plano é a contribuição que o PT vai dar para o debate da esquerda e oposição ao Bolsonaro para essa reconstrução", disse ela.


Gleisi negou que o objetivo tanto do pronunciamento de Lula quanto do plano seja eleitoral. "Não é um programa de governo", disse ela.


O ex-presidente já está gravando vídeos para os candidatos petistas. Ele pretende falar das cidades, mas levando o assunto para a esfera federal, lembrando realizações dos governos petistas e fazendo críticas a Bolsonaro.


"Ele não vai se furtar de fazer críticas, denúncias. Quando se colocou à disposição do povo brasileiro foi também para isso", afirmou Gleisi.


No 7 de Setembro, Lula fez um pronunciamento em suas redes sociais no qual faz duras críticas à forma como Bolsonaro vem conduzindo o País no enfrentamento à pandemia e à política econômica do governo. Ao final, o ex-presidente se colocou "à disposição do povo brasileiro" para enfrentar a situação.


A frase foi interpretada como sinal de que Lula quer mais uma vez ser candidato à Presidência em 2022, se for liberado pela Justiça. Em 2018, o ex-presidente foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa por ter sido condenado em dois processos em órgão colegiado (o Tribunal Regional federal da 4ª Região, TRF-4).


Preso em abril de 2018, para cumprimento provisório de sua pena no caso triplex do Guarujá por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro no esquema de desvios na Petrobrás, o ex-presidente foi solto em novembro do ano passado.


Petistas apostam em uma reversão dessas penas no julgamento pela Segunda Turma do STF ( Supremo Tribunal Federal) da ação que pede a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro.


Até agora, dois integrantes da Segunda Turma votaram contra a suspeição e dois indicaram que vão votar a favor. O voto de minerva será do decano do STF, ministro Celso de Mello, que deve se manifestar antes de se aposentar, em novembro. 


Nesta semana petistas reativaram a campanha Lula Livre, agora com o mote "anula STF", numa tentativa de pressionar o tribunal. Com informações do jornal O Estadão.

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