O senador Nelsinho Trad (PSD-MS)fez um alerta sobre os riscos da banalização do uso da força sob o argumento da defesa da democracia ao comentar os desdobramentos da crise na Venezuela.
Para ele, ações dessa natureza precisam observar os limites do Direito Internacional e não podem ignorar a soberania dos países envolvidos.
Na condição de presidente da CRE (Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional) do Senado, o parlamentar afirmou que o colegiado acompanha “minuto a minuto” os acontecimentos, com atenção especial à segurança de brasileiros que vivem ou circulam em áreas de fronteira e em território venezuelano.
Segundo Nelsinho, mesmo após a prisão de Nicolás Maduro, o cenário segue instável e inspira cautela.
“É motivo de grande preocupação, em particular, a situação dos brasileiros que se encontram em território venezuelano e os impactos imediatos nas regiões fronteiriças com o Brasil”, declarou o senador. Ele ressaltou que a rapidez da ação militar levanta questionamentos e exige acompanhamento político e diplomático permanente.
Nelsinho também lembrou o histórico recente do regime venezuelano, marcado por denúncias de repressão a opositores, prisões políticas e enfraquecimento das instituições democráticas, além de acusações de vínculos com o crime organizado. Para o parlamentar, esse contexto amplia a complexidade do momento e reforça a necessidade de respostas responsáveis da comunidade internacional.
Diante do agravamento do quadro, o senador admitiu a possibilidade de a CRE convocar reuniões extraordinárias durante o recesso parlamentar. “Os eventos estão em desenvolvimento e terão consequências de curto, médio e longo prazos”, afirmou, ao acrescentar que a comissão observa com atenção as manifestações de grandes potências e de países considerados aliados do governo venezuelano, como China, Irã e Rússia.
Na avaliação de Nelsinho, a defesa da democracia e o enfrentamento ao narcotráfico não autorizam o uso indiscriminado da força. Segundo ele, qualquer ação deve respeitar os marcos do Direito Internacional e os princípios estabelecidos pela Organização das Nações Unidas.
Por fim, o senador destacou que o esforço do Parlamento brasileiro, assim como do governo federal, deve priorizar a proteção dos cidadãos brasileiros e o fortalecimento da diplomacia. “A saída passa pelo diálogo firme, pela atuação institucional e pela preservação da vida e da soberania”, concluiu.
