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Política

Temor de desgaste com proposta de Flávio adia votação da PEC da Segurança

Proposta ficará para depois do segundo turno das eleições; divergências entre governo e oposição impediram acordo e afetaram planos de Lula.

Conjuntura Online
20/10/26 às 06h50
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Santana apresentou emenda propondo a redução para 16 anos em casos de crimes hediondos.

O receio de desgaste eleitoral diante da proposta de redução da maioridade penal defendida por Flávio Bolsonaro (PL) pesou na decisão de adiar a votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Segurança Pública.

A medida, considerada prioridade pelo governo Lula, ficará para depois do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25).

A proposta que provocou o impasse foi apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição e coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro.

O texto prevê a redução da maioridade penal para 16 anos, como regra geral, e a responsabilização a partir dos 14 anos em crimes graves, incluindo homicídios hediondos, tortura, tráfico de drogas e terrorismo.

A possibilidade de levar o tema à votação na reta final da campanha preocupou integrantes da base governista.

Segundo o presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), Otto Alencar (PSD-BA), a avaliação foi de que insistir na aprovação da PEC antes das eleições poderia provocar mais prejuízos políticos do que benefícios ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Proposta divide o PT

Na tentativa de responder à oposição, o líder do PT no Senado, Camilo Santana (CE), apresentou uma alternativa que limita a redução da maioridade penal para 16 anos aos casos de crimes hediondos.

A emenda recebeu 27 assinaturas, mas encontrou resistência dentro do próprio partido, historicamente contrário à mudança. Já a oposição buscava manter a discussão na pauta e levar os parlamentares a se posicionarem sobre o assunto.

Sem acordo para analisar a maioridade penal separadamente, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu postergar a votação.

Adiamento afeta planos de Lula

O impasse também comprometeu o planejamento do governo federal, que pretendia aprovar a PEC para anunciar a criação do Ministério da Segurança Pública antes do segundo turno.

A proposta prevê mudanças na coordenação nacional da segurança, ampliação das atribuições da PF (Polícia Federal) no combate ao crime organizado e maior integração entre as forças policiais.

Com a votação transferida para depois das eleições, o governo terá de retomar as negociações no Senado. Ainda não há uma nova data definida para a análise da proposta. (Com R7)

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