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Política

Vorcaro autorizou R$ 52 milhões ao Metrópoles e interferiu em reportagens

Mensagens obtidas pela PF revelam negociações milionárias entre o dono do Banco Master e o portal de notícias, além de influência sobre conteúdos publicados

Conjuntura Online
16/10/26 às 07h44
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O banqueiro Daniel Vorcaro. (Foto: Reprodução)

Conversas encontradas pela PF (Polícia Federal) no celular do banqueiro Daniel Vorcaro revelam que o dono do Banco Master autorizou negociações de R$ 51,9 milhões com o portal Metrópoles entre 2024 e 2025.

Os diálogos também apontam interferência do empresário em reportagens e decisões editoriais do veículo.

As tratativas envolviam diretamente Vorcaro, a CEO do Metrópoles, Lilian Tahan, e a então superintendente de Comunicação e Marketing do banco, Ana Lúcia Matos. O portal pertence ao empresário e ex-senador Luiz Estevão.

Entre os acordos identificados está um contrato de R$ 20 milhões, com pagamentos previstos ao longo de 2025. Ao ser alertado pela funcionária de que o valor era elevado, Vorcaro rejeitou a possibilidade de redução e classificou a relação com o Metrópoles como a "coisa mais importante" para o grupo.

Outras negociações incluíram cerca de R$ 900 mil para projetos de educação financeira, R$ 6 milhões em patrocínio às transmissões da Série D do Campeonato Brasileiro e um acordo adicional de R$ 25 milhões, dividido em cinco parcelas.

Além dos contratos, as mensagens mostram que reportagens eram encaminhadas ao banqueiro antes da publicação. Vorcaro chegou a solicitar alterações em textos e influenciar conteúdos relacionados ao BC (Banco Central), especialmente durante as discussões sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB (Banco de Brasília).

Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou R$ 27,2 milhões transferidos diretamente pelo Banco Master ao Metrópoles. O órgão considerou suspeitas movimentações posteriores dos recursos para empresas ligadas à família de Luiz Estevão.

O montante identificado pelo Coaf não contempla pagamentos realizados por outras empresas do conglomerado financeiro. Já os R$ 51,9 milhões correspondem ao total das negociações apontadas nas conversas, não necessariamente a valores integralmente pagos.

Luiz Estevão e Lilian Tahan foram procurados para comentar as informações, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem original. (Com informações da Agência Esatado)

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