A defesa do atacante Bruno Henrique, do Flamengo, desistiu do recurso no STJ (Superior Tribunal de Justiça) em que tentava anular a investigação em que o jogador é acusado de tomar um cartão amarelo para beneficiar apostadores durante o Brasileiro de 2023.
O pedido foi feito na quinta-feira à tarde, um dia depois de a corte ter marcado a data do julgamento, que aconteceria na próxima terça-feira. A desistência foi homologada horas depois.
Os advogados do atleta entraram com pedido de habeas corpus, que foi negado em decisão monocrática do ministro Joel Ilan Paciornik há um mês.
Depois disso, provocaram o tribunal com um agravo regimental, recurso para que o habeas corpus fosse julgado por um colegiado – e que seria apreciado pela Quinta Turma na próxima terça.
A defesa do atleta argumentava que a Justiça do Distrito Federal, onde ele está sendo processado criminalmente, não seria competente para julgar o caso, que deveria ter sido levado à Justiça Federal. Por isso, todos os atos praticados até agora deveriam ser anulados.
Ao negar o pedido, em julho, Paciornik afirmou que o habeas corpus não era a ferramenta adequada para a discussão.
A reportagem tentou contato com um dos advogados do jogador, mas não houve retorno.
Bruno Henrique foi denunciado em junho pelo Ministério Público do DF, assim como o irmão dele, Wander Nunes Pinto e mais sete pessoas.
O atacante teria informado a Wander que tomaria um cartão amarelo em jogo contra o Santos, disputado em Brasília, em novembro de 2023 – o jogador estava pendurado com dois cartões amarelos.
Apostas feitas por Wander, a esposa dele, uma prima e amigos chamaram atenção das empresas de bets, que estranharam o volume de dinheiro no cartão amarelo de Bruno Henrique.
A investigação da Polícia Federal foi iniciada em agosto do ano passado. Em novembro, o jogador e outros suspeitos foram alvo de uma operação de busca e apreensão.
Investigadores extraíram conversas do celular de Wander que embasaram o indiciamento dos suspeitos em abril.
Bruno Henrique nega, desde o início, que tenha manipulado o cartão amarelo para beneficiar os apostadores.
Um dos suspeitos, porém, fez um acordo com o Ministério Público em que admitiu saber que o jogador seria advertido com antecedência. Em troca, Douglas Ribeiro Pina Barcelos terá que realizar serviços comunitários e pagar uma multa de R$ 2.322,13. (Com ge)