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Ex-prefeito de Itaporã é punido pelo TCE por inchaço de cargos comissionados

Marcos Pacco contratou mais comissionados do que servidores efetivos, segundo auditoria do órgão de controle externo

Conjuntura Online
17/01/26 às 07h36
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O ex-prefeito de Itaporã, Marcos Pacco em foto de arquivo.

Uma auditoria do TCE-MS (Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul) resultou na aplicação de multa ao ex-prefeito de Itaporã, Marcos Pacco, após a constatação de irregularidades na estrutura de cargos comissionados durante sua gestão.

Além da penalidade, a Corte determinou que a atual administração municipal promova ajustes imediatos para corrigir as falhas herdadas do período analisado.

A sanção financeira pode chegar a 100 Uferms, o que corresponde a R$ 5.293, conforme o valor da unidade fiscal em janeiro de 2026. A decisão decorre de uma inspeção que identificou 13 inconsistências na política de pessoal do município.

Entre os pontos mais graves apontados está o desequilíbrio entre servidores efetivos e comissionados. Dados da fiscalização revelam que Itaporã mantinha 506 cargos comissionados para apenas 502 servidores concursados, situação considerada incompatível com os princípios da administração pública.

O relatório também identificou pagamentos indevidos, como horas extras e gratificações a ocupantes de cargos de confiança, além da ausência de controle formal de jornada, prática vedada para esse tipo de função. Para o TCE, essas falhas configuram desrespeito às normas legais e geram impacto direto nas contas públicas.

Assessor especial

Outro destaque da decisão envolve o cargo de assessor especial. Embora a legislação municipal autorize até 223 nomeações, a auditoria constatou 368 ocupantes em dezembro de 2022. O excesso provocou um impacto financeiro superior a R$ 719 mil, valor considerado expressivo pelo órgão de controle.

Relator do processo, o conselheiro Márcio Monteiro avaliou que a defesa apresentada por Marcos Pacco não foi suficiente para afastar as irregularidades. O ex-prefeito alegou que a realização de concurso público estava prevista, mas acabou suspensa por decisão judicial — justificativa que, segundo o relator, não regulariza o quadro funcional nem afasta a ilegalidade.

Ainda que parte das falhas tenha sido reconhecida pelo próprio ex-prefeito, como o pagamento indevido de horas extras, o TCE destacou que não houve comprovação documental das supostas correções adotadas à época. Diante disso, a responsabilidade pela regularização foi transferida à gestão atual.

O Tribunal estabeleceu prazo que varia de 30 a 180 dias para que o prefeito Tiago Carbonaro adeque o número de comissionados e assessores especiais aos limites legais, implemente controle efetivo de jornada e ajuste o pagamento de vantagens funcionais e o teto remuneratório do município.

Procurado, o ex-prefeito Marcos Pacco ainda não se manifestou. 

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