O cancelamento do último debate presidencial antes do primeiro turno abriu uma nova frente de críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), que já estavam nos Estúdios Globo na noite desta quinta-feira (1º), questionaram as decisões judiciais tomadas poucas horas antes do confronto.
Zema foi um dos mais duros. O candidato afirmou que o país vive uma situação de insegurança jurídica e acusou o Judiciário de atuar politicamente. Para ele, mudanças nas regras às vésperas do programa prejudicaram não apenas os candidatos, mas também os eleitores que aguardavam o debate.
Caiado também direcionou as críticas às Cortes. O candidato classificou as decisões como uma afronta à democracia e questionou a interferência do STF e do TSE em regras que já haviam sido acertadas anteriormente entre a emissora e os partidos.
Augusto Cury, por sua vez, afirmou que o STF assumiu um protagonismo desproporcional no país. O candidato defendeu que a Corte deveria atuar como guardiã da Constituição e criticou a insegurança jurídica provocada pelas decisões envolvendo o encontro.
Flávio Bolsonaro (PL) também engrossou as críticas ao Judiciário. Nas redes sociais, o candidato afirmou que desistiu de participar do debate por causa do que chamou de "censura imposta" pelo TSE. Mais tarde, durante uma transmissão ao vivo, voltou a atacar as decisões tomadas às vésperas do programa e disse que não compactuaria com a "interferência do Judiciário nas eleições".
Crise
A crise se intensificou horas antes do programa. Uma decisão do TSE impediu a Globo de manter vazio o púlpito destinado a Lula (PT) e também restringiu perguntas direcionadas ao presidente, que havia decidido não comparecer. Já o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão), revertendo decisão anterior que havia impedido sua participação.
Diante das mudanças, a Globo cancelou o debate e afirmou que as decisões tomadas às vésperas da transmissão criaram insegurança jurídica e interferiram nas regras previamente estabelecidas para o confronto.
Flávio Bolsonaro (PL), que também desistiu de participar antes do cancelamento, criticou a atuação do Judiciário e relacionou sua ausência às mudanças impostas ao formato do programa.
Assim, o debate que deveria marcar o último confronto entre presidenciáveis antes da votação terminou substituído por uma discussão sobre os limites da atuação do STF e do TSE durante o processo eleitoral. (Com informações do Globo.com)
