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Política

Ex-embaixador britânico investigado no caso Epstein, é preso em Londres

A polícia confirmou a prisão de um homem de 72 anos sob suspeita de má conduta em cargo público, mas protegeu sua identidade e não confirmou que é Peter Mandelson

Conjuntura Online
23/02/26 às 15h49
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O ex-embaixador britânico nos EUA, Peter Mandelson, no dia 14 de fevereiro, após começar a ser investigado (Foto: Reuters/Chris Ratcliffe)

O ex-embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos Peter Mandelson foi preso e levado de sua casa por policiais nesta segunda-feira (23).

A informação foi noticiada em primeira mão pelo jornal britânico "The Times". Procurada para confirmação, a Polícia Metropolitana de Londres confirmou a prisão de um homem de 72 anos sob suspeita de má conduta em cargo público, mas protegeu sua identidade e não confirmou que é Peter Mandelson, assim como no dia da detenção do ex-príncipe Andrew.

"Agentes prenderam um homem de 72 anos sob suspeita de má conduta em cargo público. Ele foi preso em um endereço em Camden na segunda-feira, 23 de fevereiro, e foi levado para uma delegacia de polícia em Londres para interrogatório. Isto ocorre na sequência de mandados de busca e apreensão cumpridos em dois endereços nas áreas de Wiltshire e Camden", disse a polícia em um comunicado.

As casas de Mandelson em Londres e no oeste da Inglaterra foram alvo de buscas policiais no início deste mês.

O diplomata, que tem 72 anos, está sendo investigado criminalmente pela polícia desde o começo do mês, depois que arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA indicaram que ele recebeu dinheiro de Jeffrey Epstein e vazou documentos sigilosos do governo britânico.

Mandelson, que é casado com um brasileiro, renunciou ao cargo que tinha no Parlamento britânico e a seu posto no Partido Trabalhista, do atual governo, depois que o escândalo veio à tona.

Os emails divulgados recentemente também mostraram que Mandelson e Epstein eram mais próximos do que se pensava, e que o diplomata compartilhou informações com o financista quando era ministro no governo do ex-primeiro-ministro Gordon Brown, em 2009.

Apesar de no passado, ele ter declarado que se arrependia "profundamente" de sua associação com Epstein, Mandelson não se pronunciou publicamente nem respondeu a mensagens solicitando comentários sobre as últimas revelações.

Caso abalou o governo britânico
No dia 10 deste mês, depois do anúncio da abertura de investigação contra Mandelson, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, negou que renunciaria a seu mandato por causa da polêmica.

Foi o premiê quem nomeou Mandelson, pivô do escândalo do caso Epstein no Reino Unido — documentos revelaram que ele recebeu dinheiro do empresário, condenado por comandar rede de tráfico sexual e abuso de menores.

"Jamais abandonarei o mandato que me foi confiado para mudar este país", disse Starmer a jornalistas nesta terça. "Jamais abandonarei o povo pelo qual tenho a responsabilidade de lutar, e jamais abandonarei o país que amo",

A baixa popularidade de Starmer – na casa dos 18% – já trazia fragilidade para o governo. O caso Epstein e o erro na escolha de Mandelson, abalaram ainda mais a credibilidade do primeiro-ministro. O partido dele, o Trabalhista, está dividido: uma ala pede renúncia, outra demonstra apoio total. Essa queda de braço interna pode ser o início da ruptura do governo britânico.

Dois dias antes de negar deixar o cargo, no dia 8, o chefe de gabinete do governo britânico, Morgan McSweeney, que sugeriu o nome de Mandelson a Starmer, renunciou por conta da crise. No dia 9, o diretor de Comunicação, Tim Allan, apresentou renúncia.

Os arquivos de Epstein também atingiram a família real. O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles, foi preso na quinta-feira (19) sob a mesma suspeita.

Andrew, que há anos está profundamente envolvido nas acusações que surgiram contra Jeffrey Epstein, passou a ser investigado depois que mensagens liberadas pelo governo americano mostraram que ele teria passado informações sigilosas sobre oportunidades de investimento para Epstein na época em que atuava como representante comercial do Reino Unido.

Entre uma das fotos que surgiram nos novos arquivos também está uma em que ele aparece agachado sobre uma mulher.

A ex-mulher do irmão de Charles, Sarah, também é citada. Em uma troca de mensagens com Epstein, ela relata detalhes íntimos da própria filha, a princesa Eugenie. E isso tudo depois da primeira condenação de Epstein por prostituição de menores em 2008.

Recentemente, um porta-voz do príncipe William e da princesa Kate afirmou que eles estão “profundamente preocupados” e pensando nas vítimas. O Palácio de Buckingham também se manifestou e disse que está pronto para auxiliar os trabalhos da polícia contra Andrew. (Com g1)

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