As famílias do Residencial Athenas II, na região da Mata do Jacinto, fizeram um apelo contundente por respeito, segurança e condições dignas de moradia durante audiência pública realizada na manhã de quarta-feira (10), na Câmara Municipal de Campo Grande.
O encontro expôs relatos emocionados de preconceito, medo e violações de direitos sofridas há anos pela comunidade.
A audiência foi proposta pela vereadora Luiza Ribeiro, presidente da Comissão de Políticas e Direitos das Mulheres, de Cidadania e Direitos Humanos, com apoio da Comissão de Segurança Pública.
Após o debate, uma comitiva com representantes da Câmara, Defesa Civil, Emha, Agehab, Guarda Civil Metropolitana e Defensoria Pública deverá visitar a comunidade em busca de encaminhamentos concretos.
Logo no início, moradores relataram a rotina de estigma e violência. Alisson Pereira, que vive há quase 20 anos no local, descreveu o peso do preconceito.
“Tudo que acontece na região colocam a culpa no Athenas. Nossas crianças têm vergonha de dizer onde moram. Até apelido de ‘Carandiru’ já deram para nós”, lamentou.
A moradora Marcela Souza denunciou abusos em operações policiais.
“Tem criança autista, tem idoso. A gente trabalha e chega em casa com a porta estourada. Só queremos dignidade. Não somos bandidos”, afirmou.
Também moradora, Tainara Souza reforçou que a comunidade sofre opressão e carece de políticas reais de habitação.
“A gente só quer morar com dignidade. Que governo e prefeitura olhem por nossas famílias”, pediu.
A vereadora Luiza Ribeiro destacou que os moradores são historicamente silenciados.
“A Câmara existe para dar voz a quem nunca é ouvido. Essas pessoas não podem continuar sendo tratadas como criminosas”, afirmou.
Impasse jurídico da área
A Defensoria Pública explicou o impasse jurídico da área, que tem pedido de reintegração. O defensor Danilo Silveira disse que a solução ideal seria garantir moradia adequada, mas isso exige vontade política e definição de áreas para reassentamento.
O representante da Emha, Douglas Torres, afirmou que o encaminhamento será o reassentamento simultâneo das famílias, preferencialmente na mesma região, com cadastro sendo realizado após visita técnica.
Forças de segurança também se manifestaram. O subcomandante da Guarda Municipal, inspetor Pedroso, defendeu aproximação e acolhimento:
“O cidadão precisa ver a viatura e se sentir protegido, não ameaçado.”
Águas Guariroba e Energisa explicaram dificuldades para regularização dos serviços, que dependem também de ajustes fundiários e estruturais.
A audiência terminou com o compromisso de levar o poder público até a comunidade — um passo que, para as famílias do Athenas II, representa a esperança de finalmente quebrar o ciclo de estigma e vulnerabilidade.
