Uma gestante de 24 anos precisou ir de motocicleta até o Hospital Municipal de Sete Quedas, a 468 quilômetros de Campo Grande, após não conseguir atendimento ao tentar acionar uma ambulância.
A mulher já estava em estágio avançado do trabalho de parto. A bebê morreu durante o parto, ocorrido em maio deste ano.
O caso agora é alvo de um procedimento administrativo do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que investiga possíveis falhas em diferentes etapas do atendimento, incluindo o acompanhamento pré-natal, o transporte de emergência e a estrutura oferecida pelo município para atender gestantes em situações de maior complexidade.
Conforme documentos da apuração, as ligações feitas para pedir uma ambulância não teriam sido atendidas porque a servidora responsável pela recepção do hospital estaria em horário de descanso. Sem conseguir o transporte de emergência, a gestante seguiu de moto até a unidade de saúde.
Quando chegou ao hospital, a mulher apresentava um parto pélvico, condição em que o bebê está posicionado com as nádegas ou os pés voltados para baixo. A unidade, porém, não dispunha de estrutura cirúrgica para realização de uma cesariana. O parto vaginal evoluiu com complicações graves e a criança morreu.
A certidão de natimorto registra que a bebê tinha 41 semanas de vida intrauterina. Entre as causas da morte constam asfixia ao nascer e obstrução relacionada à apresentação pélvica.
Pré-natal também é investigado
A atuação do MPMS não está restrita ao pedido de ambulância. Uma ultrassonografia realizada em fevereiro já havia identificado que o feto estava em apresentação pélvica. Segundo os autos, porém, não houve confirmação da posição fetal durante o terceiro trimestre da gestação.
Cinco dias antes do parto, quando estava com 40 semanas e três dias, a gestante também teria procurado atendimento com dores e perda de líquido. Ela recebeu alta com prescrição de analgésico, sem encaminhamento imediato para uma unidade obstétrica que tivesse suporte cirúrgico.
A Promotoria quer saber quais critérios foram utilizados para acompanhar a gestação, por que não houve nova ultrassonografia entre a 36ª e a 38ª semana e se a paciente havia sido encaminhada previamente para uma maternidade de referência.
Também serão analisados os protocolos do hospital para situações de emergência obstétrica e a capacitação da equipe para reanimação neonatal.
A Secretaria Municipal de Saúde e a direção do Hospital Municipal foram chamadas a prestar esclarecimentos. O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) e o Coren-MS (Conselho Regional de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) também foram comunicados.
O MPMS ressalta que a investigação ainda está em andamento e, até o momento, não há conclusão sobre eventual responsabilidade de profissionais ou do município pela morte da bebê. (A reportagem é do portal G1MS)
