Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher a nova composição do Congresso em uma eleição considerada decisiva para o presidente Donald Trump.
A votação ocorre em meio à disputa entre republicanos e democratas pelo controle do Legislativo e poderá alterar os rumos do governo americano até 2028.
Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato acontecem dois anos após a escolha presidencial. Desta vez, estarão em disputa todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado, incluindo eleições especiais.
Os americanos também escolherão governadores em 36 estados.
Atualmente, o Partido Republicano controla as duas Casas do Congresso, embora com uma vantagem estreita na Câmara. A manutenção dessa maioria permitiria a Trump continuar negociando suas propostas com uma base parlamentar mais favorável.
Por outro lado, caso os democratas conquistem o controle de uma ou das duas Casas, o presidente poderá enfrentar maiores dificuldades para aprovar projetos, além de uma fiscalização mais intensa sobre as decisões de seu governo.
Economia e popularidade pressionam republicanos
A eleição ocorre em um cenário de insatisfação de parte dos americanos com o custo de vida, os preços dos alimentos e combustíveis e a condução da política externa.
Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2) mostrou que a aprovação de Trump estava em 32%, próxima dos menores índices registrados durante sua Presidência.
O levantamento também apontou vantagem democrata na intenção de voto para o Congresso. Entre os eleitores registrados, 46% declararam preferência pelos democratas, enquanto 38% escolheram os republicanos.
Apesar dos números nacionais, o resultado dependerá das disputas individuais nos estados e distritos eleitorais, além do comparecimento dos eleitores, já que o voto não é obrigatório nos Estados Unidos.
Resultado pode mudar relação entre Casa Branca e Congresso
O controle da Câmara dos Representantes é especialmente importante porque permite ao partido majoritário comandar comissões, convocar autoridades e abrir investigações sobre o governo federal.
No Senado, a disputa também tem consequências diretas para Trump, uma vez que a Casa é responsável por confirmar indicações presidenciais para cargos importantes, incluindo integrantes do governo e juízes federais.
Uma eventual divisão do Congresso entre republicanos e democratas poderia provocar impasses nas negociações sobre orçamento, gastos públicos e outras prioridades da Casa Branca.
Trump já enfrentou situação semelhante em 2018, durante seu primeiro mandato, quando os democratas conquistaram a maioria na Câmara, enquanto os republicanos mantiveram o controle do Senado.
O resultado das eleições desta terça-feira definirá a correlação de forças em Washington a partir de janeiro de 2027 e terá influência direta sobre a capacidade do presidente de avançar com sua agenda política até o encerramento do mandato, em 2029 (Jovem Pan).
