A disputa pelo comando do Ministério da Fazenda no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou uma divisão interna no partido e enfraqueceu a candidatura do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT).
Antes considerado um dos favoritos para assumir a pasta, ele passou a enfrentar resistências de integrantes do próprio governo, levando Lula a avaliar outras alternativas para a equipe econômica.
Entre os principais obstáculos está a necessidade de Fonteles renunciar ao governo do Piauí para assumir o ministério.
Auxiliares presidenciais avaliam que essa condição poderia dificultar uma eventual demissão, caso surgissem divergências sobre os rumos da política econômica.
Outro argumento utilizado contra o governador é a falta de experiência em cargos federais em Brasília. Nos bastidores, também surgiram informações de que Fonteles estaria mantendo contatos com representantes do mercado financeiro antes mesmo de uma possível indicação, o que teria provocado desconforto entre aliados de Lula.
O governador negou ter realizado reuniões com empresários para discutir uma eventual nomeação. Também afirmou que não conversou com o presidente sobre cargos ou sobre a condução da política econômica.
Alckmin ganha espaço na disputa
Com o desgaste de Fonteles, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) passou a ganhar força entre os possíveis escolhidos. Ele também mantém diálogo com empresários e representantes do mercado financeiro e, caso seja indicado, poderá formar uma equipe com economistas de reconhecida experiência.
Entretanto, sua escolha também enfrenta resistência. Por ocupar a Vice-Presidência da República, uma eventual substituição no Ministério da Fazenda poderia gerar dificuldades políticas semelhantes às apontadas no caso de Fonteles.
Outro nome considerado é o do senador Camilo Santana (PT-CE), que também aparece nas articulações para ocupar os ministérios da Educação e da Segurança Pública ou a Casa Civil.
Já o ex-ministro Fernando Haddad (PT) não está entre os principais cotados para retornar à Fazenda, mas poderá ser considerado para a Casa Civil, dependendo da composição do novo governo.
Pressão fiscal aumenta disputa pela Fazenda
Enquanto Lula avalia os nomes para o próximo mandato, o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, tenta consolidar sua posição diante das pressões por medidas capazes de equilibrar as contas públicas em 2027.
O ministro ganhou respaldo do presidente após divergências envolvendo propostas de redução dos juros defendidas pelo economista André Lara Resende. Durigan criticou as sugestões e reforçou a necessidade de responsabilidade fiscal, posicionamento que recebeu apoio de setores do mercado financeiro, mas provocou críticas dentro do PT.
O presidente nacional do partido, Edinho Silva, também saiu em defesa de Durigan, afirmando que o ministro é o responsável por representar a política econômica do governo.
A disputa ocorre em um momento delicado para as contas públicas. O governo precisa definir medidas para ajustar o Orçamento de 2027 e encaminhar propostas ao Congresso ainda neste ano, evitando que decisões fundamentais fiquem para a próxima legislatura, que terá uma oposição fortalecida.
A escolha do próximo ministro da Fazenda, portanto, envolve não apenas a confiança pessoal de Lula, mas também a disputa entre diferentes correntes do PT sobre o controle da política econômica e a necessidade de recuperar a credibilidade fiscal do governo.
Até o momento, não há definição sobre quem comandará a pasta a partir de 2027. (Jornal de Brasília)
