A ausência de segundo turno para governador em grande parte do Brasil tornou o comparecimento às urnas uma preocupação para as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
A uma semana da decisão presidencial, marcada para 25 de outubro, os dois candidatos intensificam a mobilização de eleitores, especialmente nos estados onde a disputa estadual terminou no primeiro turno.
O desafio é maior nos três principais colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Juntos, os estados registraram mais de 14 milhões de ausências na votação de 4 de outubro.
Sem candidatos ao governo disputando votos novamente, as campanhas presidenciais dependem ainda mais da atuação de lideranças locais.
Em Mato Grosso do Sul, onde Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador, a situação é semelhante. Dos pouco mais de 2 milhões de eleitores aptos, aproximadamente 483 mil não compareceram às urnas no primeiro turno, o equivalente a 23,87%.
No Estado, aliados de Flávio Bolsonaro organizaram mobilizações simultâneas nos 79 municípios, com participação de prefeitos, deputados e outras lideranças políticas. A iniciativa busca ampliar o comparecimento e a votação do candidato do PL na reta final da campanha.
Campanhas adotam estratégias diferentes
Flávio Bolsonaro aposta no envolvimento de governadores eleitos, parlamentares e lideranças partidárias para manter a mobilização nos estados onde venceu no primeiro turno. A campanha também intensifica a divulgação de conteúdos nas redes sociais e a realização de atos públicos, incluindo manifestações em São Paulo.
Lula, por sua vez, procura mobilizar aliados políticos, movimentos sociais e eleitores que não participaram da primeira votação. A estratégia inclui ações no Nordeste, região onde o presidente obteve seus melhores resultados, e maior presença em Minas Gerais.
O petista também busca divulgar medidas de seu governo e estimular o comparecimento de eleitores mais velhos, além de reforçar a informação de que, no segundo turno, a votação será apenas para presidente nos estados sem disputa estadual.
A preocupação das duas campanhas encontra respaldo nos números nacionais. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a abstenção no primeiro turno chegou a 21,08% do eleitorado, acima dos 20,79% registrados em 2022.
Pesquisa Quaest indica que, entre os eleitores que não votaram ou anularam o voto na primeira etapa, 43% manifestam preferência por Lula e 38% por Flávio Bolsonaro. Os números ajudam a explicar por que esse grupo passou a receber atenção especial das campanhas.
Apesar das estratégias, não há garantia de que uma redução da abstenção beneficie determinado candidato. O impacto dependerá de quais eleitores comparecerem e de como distribuirão seus votos.
Quem deixou de votar no primeiro turno poderá participar normalmente da votação de 25 de outubro, desde que esteja com o título eleitoral regular. Cada turno é considerado uma eleição independente pela Justiça Eleitoral. (Jornal de Brasília)
