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De novo, Oeste muda de cidade, troca nome, identidade visual e soterra história

Clube fundado em Itápolis deixou o interior de São Paulo há uma década e terá nova casa, novo nome e coloca um ponto final na trajetória de 105 anos

Conjuntura Online
13/01/26 às 12h13
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Oeste mudou de cidade, identidade visual e nome: agora é Osasco Sporting (Foto: Infoesporte)

O Oeste não existe mais. Fundado em 1921 na cidade de Itápolis, no interior de São Paulo, o clube vinha em decadência na última década, "fechou as portas" e terá uma nova identidade.

Na última sexta-feira, o empate sem gols com a Ferroviária, no estádio José Liberatti, na estreia da Série A2 do Campeonato Paulista, marcou o início da história do agora Osasco Sporting.

Para entender um pouco da história do Osasco Sporting, é necessário retornar ao dia 26 de dezembro de 2025. Foi neste dia que o Oeste deixou de existir oficialmente para a criação de um novo clube, que seguirá sob a mesma inscrição do antigo na Federação Paulista de Futebol, mas com mudança de nome, cidade e identidade visual.

O pontapé para a mudança radical foi o "despejo" sofrido pelo Oeste por parte da cidade de Barueri. O clube tinha um local cedido pela administração pública para treinar e utilizava a Arena Barueri para mandar os seus jogos sem qualquer custo.

Isso mudou em dois atos: a prefeitura local pediu de volta o espaço do CT, e uma das empresas de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, venceu a licitação para administrar o estádio da cidade.

O Oeste ficou sem local para treinar e teria de pagar um aluguel para utilizar a Arena Barueri. A solução encontrada pelo clube foi buscar uma nova cidade que oferecesse as mesmas condições, algo que obteve em Osasco. E é esse ponto que explica a mudança de nome para Osasco Sporting e a nova identidade visual - o clube era rubro-negro e agora veste azul e branco, além da mudança radical no escudo.

Mas a chegada na nova cidade começou a causar incômodo logo de cara. Recentemente, funcionários pintaram os bancos de reservas do estádio José Liberatti de azul, cores do Osasco Sporting, substituindo o vermelho, que remete ao Audax, outro clube de Osasco e que ainda é mantenedor do estádio.

Pode mudar de nome, cidade e escudo?
Não há nenhum impedimento para que um clube altere o seu nome, a cidade-sede ou a sua identidade visual. No caso do Oeste, que agora é Osasco Sporting, o clube terá de desembolsar uma taxa de R$ 800 mil imposta pela FPF (Federação Paulista de Futebol) para a troca de sede.

Como atualmente Osasco tem apenas o Audax em atividade, nada impede que o Osasco Sporting mande seus jogos na cidade e compartilhe o estádio José Liberatti. A Federação Paulista permite apenas dois times registrados em uma mesma cidade e estádio.

O ge entrou em contato com Aparecido Freitas, atual presidente do Osasco Sporting, mas não obteve retorno para comentar as mudanças. A Prefeitura de Osasco também foi procurada, mas até a publicação da reportagem não respondeu aos questionamentos com relação ao novo time da cidade.

A saída de Itápolis
O Oeste mudou de casa após 96 anos de história. Fundado em 1921, o Rubrão jogou até 2016 na cidade de Itápolis, interior de São Paulo, quando se mudou para Barueri.

Com a alegação de não ter um estádio capaz de receber os jogos da equipe no Paulistão e Série B, o clube encontrou na Grande São Paulo a estrutura e a logística consideradas ideais para ajudar no crescimento da equipe no cenário nacional.

Desde a saída do Oeste, o estádio dos Amaros, em Itápolis, recebe apenas pequenos reparos para a realização de jogos do campeonato amador da cidade. Sem perspectiva de retorno do clube, o local é subutilizado.

Com a saída do time, a torcida organizada que acompanhava os jogos no Amaros acabou. E quem frequentemente estava nas arquibancadas dos jogos do Oeste em Itápolis passou a não torcer mais pelo time, que sofreu com diversos protestos ao longo dos últimos anos dos torcedores que foram abandonados em Itápolis.

– Saímos da cidade porque a CBF e a Federação Paulista interditaram o nosso estádio. Fomos para Barueri porque temos uma arena e um CT de seleção. Desde então, Itápolis não fez nada. O Oeste tem uma história em Itápolis, voltaria se tivesse condições. A cidade merece tudo o que conquistamos – explicou ao ge Ernesto Garcia, presidente do Oeste em 2019 e um dos atuais dirigentes do clube.

O prefeito de Itápolis na época da mudança, Edmir Gonçalves (PTC), afirmou que a prioridade do município era atender outras demandas da população e que a grave crise financeira impedia o investimento em melhorias no estádio dos Amaros.

– Pegamos uma cidade que teve cinco prefeitos em dois anos, com muitas dívidas e com um trauma muito grande. Não houve má vontade, não havia e não há possibilidade de investirmos R$ 4 milhões para deixar o estádio apto para receber jogos. É bacana ter o Oeste? Claro, o time levou o nome da cidade para o Brasil todo, mas como prefeito não posso deixar de atender a saúde, por exemplo, para gastar com o estádio.

– Disse uma vez para o Ernesto (presidente do Oeste) que poderia fazer uma arena de Copa do Mundo aqui, que não daria renda. A cidade não comporta um time dessa magnitude. Não existe como viabilizar um time numa cidade pequena – disse o prefeito da época, em 2019, ao ge.

Da quase venda à recuperação judicial
Em 2019, o Oeste quase teve um novo dono e uma nova cidade. Em busca de um clube de São Paulo com vaga na elite estadual e na Série B do Campeonato Brasileiro, a Red Bull negociou a compra do Rubrão.

Campeão da Série C do Brasileiro em 2012, o Oeste disputou a Série B por oito anos consecutivos, entre 2013 e 2020, quando foi rebaixado também no Campeonato Paulista. Desde 2023, não tem divisão nacional e atualmente conta no calendário apenas com a Série A2 estadual e a Copa Paulista, torneio no segundo semestre que dá vaga na Copa do Brasil e na Série D.

A oferta na época girava em torno de R$ 45 milhões e só não foi finalizada pela intenção da empresa de energéticos de levar o time para Jundiaí. No fim, a Red Bull adquiriu o Bragantino. O Oeste foi rebaixado duas vezes no ano seguinte.

O Rubrão pediu recuperação judicial em 2025 e trabalha para elaborar um plano de pagamento das dívidas já executadas que giram em torno de R$ 3 milhões, entre ações cíveis e trabalhistas. O valor total da dívida do clube não foi divulgado.

Em 28 de maio de 2025, o Oeste obteve deferimento do pedido de Recuperação Judicial (RJ). Com isso, ficou sem a suspensão dos bloqueios em suas contas para que consiga elaborar um plano de quitação de pendências com os seus credores. Além disso, o clube obteve a liberação provisória de quaisquer sanções da CNRD (Câmara Nacional de Resolução de Disputas), da CBF.

A linha do tempo da derrocada do Oeste:
Queda da Série B para a C em 2020
Queda no Paulistão em 2020
Queda da Série C para a D em 2021
Eliminado na 2ª fase da Série D em 2022
Sem divisão nacional desde 2023

A intenção do Oeste é futuramente tornar-se uma SAF (Sociedade Anônima do Futebol).

(Com ge - SP

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