Quem for tirar a primeira habilitação em Mato Grosso do Sul já encontra um novo formato de prova prática. O exame de direção passou por mudanças que afetam diretamente a rotina dos candidatos, como a extinção da tradicional baliza dentro do pátio do Detran e a ampliação do limite de erros permitidos durante a avaliação.
A última prova no modelo antigo aconteceu na sexta-feira (24) e marcou o fim de uma etapa considerada símbolo do processo de habilitação.
A estudante Maria Eduarda Franciozi, de 18 anos, acabou se tornando a última candidata a enfrentar a baliza no formato tradicional. Para ela, o desafio nunca foi técnico, mas emocional.
“O maior problema é o nervosismo. A baliza em si não era tão difícil”, contou. Mesmo assim, a jovem vê riscos no novo modelo. Segundo ela, a redução da carga mínima de aulas e a prova totalmente em percurso podem dificultar a vida de quem nunca teve contato com direção antes de iniciar o processo.
Avaliação agora é no trânsito real
Com as mudanças, o exame passa a ocorrer somente em vias públicas, sem área de simulação. O candidato é avaliado em situações reais, como cruzamentos, conversões, controle de velocidade e interação com outros veículos. A ideia é aproximar a prova da realidade enfrentada no dia a dia.
A medida antecipa regras que devem integrar um manual nacional de exames, que está em elaboração e deve padronizar os critérios em todo o país. Em Mato Grosso do Sul, o novo modelo passa a valer de forma provisória até a publicação oficial dessas diretrizes.
Mais pontos, mas tolerância relativa
Outra mudança significativa está na pontuação. Antes, o candidato era eliminado ao somar três pontos em falhas. Agora, o teto sobe para dez pontos, com gradação baseada na gravidade das infrações. Erros leves somam menos, enquanto falhas consideradas gravíssimas continuam resultando em reprovação imediata.
Na prática, o candidato pode errar mais, mas não pode cometer deslizes que coloquem em risco a segurança. A prova continua exigindo domínio do veículo, atenção às regras e capacidade de tomar decisões rápidas em ambiente real.
Fim da prova decorada
A principal aposta do novo modelo é acabar com a lógica de “decorar manobras” e transformar a avaliação em um teste de comportamento no trânsito. Sem a baliza isolada e sem percurso previsível, o exame passa a medir menos a memória e mais a habilidade de dirigir sob pressão.
Para quem está começando, o impacto é direto: menos ensaio mecânico, mais condução real. E, para muitos candidatos, isso pode significar uma prova mais justa — ou bem mais desafiadora.
