A Penitenciária de Dois Irmãos do Buriti está passando por uma das maiores ampliações já registradas na unidade e deve quase dobrar o número de detentos atendidos. Com as obras em andamento, a capacidade do presídio salta de 208 para 394 vagas, o que representa um aumento de 89%.
A intervenção ocorre em meio à pressão por mais espaço no sistema prisional de Mato Grosso do Sul, que convive há anos com superlotação e déficit de vagas.
A ampliação cria 186 novos locais de custódia, com a construção de celas comuns, celas disciplinares e uma cela adaptada para pessoas com deficiência.
Ao todo, estão sendo erguidas 23 celas comuns, seis disciplinares, cinco de inclusão e uma adaptada, todas com estrutura em concreto armado, padrão que aumenta a resistência das edificações e reduz riscos de fugas e danos. As novas celas também contam com fechamento superior, medida adotada para reforçar o controle interno.
Além da expansão de vagas, a obra inclui melhorias em setores considerados críticos, como portaria, recepção, área de revista, alojamento de policiais penais, triagem, setor de ensino e galeria central.
Espaços para visitas e atividades
O projeto também prevê a criação de um módulo polivalente, destinado a atividades religiosas, culturais, educacionais e esportivas, além de um espaço separado para visitas familiares e íntimas. Oficinas de trabalho estão sendo ampliadas, com foco em ressocialização por meio de atividades laborais.
Na área externa, será construído um abrigo para visitantes, com o objetivo de melhorar o fluxo de entrada e oferecer mais conforto às famílias dos internos.
As obras somam mais de 6,1 mil metros quadrados, sendo quase 2 mil metros exclusivamente voltados à criação de novas vagas. O investimento é de aproximadamente R$ 16 milhões, com recursos federais.
A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos até o fim de junho, quando a unidade passará a operar oficialmente com a nova capacidade. A ampliação é vista como uma tentativa de aliviar a pressão sobre o sistema penitenciário estadual, mas especialistas apontam que, mesmo com o aumento, o déficit de vagas ainda segue como um desafio estrutural.
