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Política

EUA e Brasil discutem eventual inclusão de PCC e CV na lista de terroristas

Governo brasileiro teme que a classificação possa dar verniz legal a intervenções militares norte-americanas 

Conjuntura Online
09/03/26 às 14h44
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Marco Rubio e Mauro Vieira. (Foto: Reprodução)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, conversaram ao telefone para discutir a relação entre os países, após o governo americano sinalizar a intenção de que facções criminosas brasileiras sejam enquadradas como organizações terroristas.

O governo Trump voltou à carga sobre a classificação de organizações terroristas, algo já rejeitado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, com base na legislação nacional e internacional sobre o tema.

No foco de Washington, estão as principais organizações com raízes no Brasil e operação continental, além de elos na Europa, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho).

Como noticiado pela Jovem Pan, caso a medida seja confirmada, os grupos criminosos brasileiros entrarão na lista oficial de organizações terroristas estrangeiras (FTO, na sigla em inglês) mantida por Washington. Na prática, o enquadramento permite a ampliação da cooperação internacional para investigações, o bloqueio de ativos e a aplicação de sanções financeiras contra as facções.

Para entrar em vigor, o procedimento exige o cumprimento de etapas formais, que incluem a comunicação ao Congresso dos Estados Unidos e a publicação da decisão no diário oficial americano (Federal Register).

Telefonema entre Vieira e Rubio

O telefonema ocorreu no fim de semana, depois da reunião de Trump com presidentes latino-americanos na Flórida, na qual ele discutiu operações de combate ao crime organizado. O encontro, para o qual o petista não foi convidado, foi batizado como Escudo das Américas, e tratou de segurança pública.

Foram discutidos na conversa aspectos da cooperação judicial e o tema do crime organizado, no âmbito da preparação da visita de Lula e a Trump, adiada após o início da guerra ao Irã.

Integrantes do governo brasileiro temem que a classificação possa dar verniz legal a intervenções militares na América Latina, e lembram da operação de captura do ditador Nicolás Maduro, na Venezuela.

Os EUA empregaram uma força aérea e naval militar numa suposta operação contra cartéis de drogas venezuelanos. (Com informações da Jovem Pan)

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