O empresário John Textor se manifestou publicamente após ser afastado do comando da Eagle Football Group por decisão do fundo Ares, credor da holding.
Em entrevista ao FogãoNet, o norte-americano afirmou que seus advogados consideraram a medida um “absurdo” e garantiu que já esperava uma reação do grupo financeiro.
Apesar do movimento da Ares, Textor segue no controle da SAF do Botafogo graças a uma liminar concedida pela Justiça do Rio de Janeiro em outubro de 2025, que o mantém no poder do clube brasileiro.
A decisão do fundo foi comunicada por meio de uma carta enviada na última terça-feira, embora ainda não tenha sido oficialmente registrada.
O estopim para a crise foi a demissão dos diretores Stephen Welch e Hemen Tseayo, conselheiros da Eagle BIDCO, promovida por Textor na segunda-feira.
Segundo apuração do ge, a dupla vinha discordando das últimas decisões do americano, especialmente do modelo de aporte financeiro proposto para cobrir dívidas urgentes do Botafogo — entre elas, o transfer ban que impede o registro de novos atletas. Textor, inclusive, prometeu um aporte significativo ainda nesta semana.
Disputa de poder na Eagle
O empresário tomou a decisão de afastar os dois conselheiros às vésperas da Assembleia Geral da Eagle Football Group. Como Welch e Tseayo haviam votado contra suas propostas, Textor tentou invalidar os votos ao retirá-los do quadro, o que lhe permitiria participar sozinho da votação.
Com isso, buscava retomar o controle total da holding, destituir a atual diretoria — formada por Michele Kang e Michael Gerlinger — e solicitar sua reintegração à presidência executiva.
A estratégia, porém, teve o efeito oposto.
A Ares, que já havia retirado Textor do controle operacional do Lyon em junho de 2025, decidiu afastá-lo também da Eagle com efeito imediato.
O fundo não reconheceu a demissão dos dois diretores e tratou os votos como válidos, determinando o retorno de Stephen Welch e Hemen Tseayo aos cargos na Eagle Football Holding Bidco e também na estrutura da própria Ares.
A relação entre Textor e o fundo se deteriorou desde o empréstimo de US$ 450 milhões feito pela Ares em 2022, usado pelo americano para a compra do Lyon. A dívida, até hoje, não foi quitada, o que ampliou a pressão sobre a gestão do empresário.
Presença no Nilton Santos
Mesmo em meio ao impasse jurídico e societário, John Textor é esperado no Rio de Janeiro nesta quinta-feira, quando o Botafogo enfrenta o Cruzeiro, no Estádio Nilton Santos, na estreia do Campeonato Brasileiro.
Nos bastidores, o americano tenta sustentar a narrativa de que ainda detém legitimidade para conduzir o projeto esportivo do clube, enquanto trava uma batalha de poder contra o fundo que hoje controla a maior parte de sua holding.
