O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), quer mudar a forma como os brasileiros elegem seus representantes no Congresso Nacional.
A proposta defendida pelo tucano prevê uma reforma política com período de transição em 2030 e implantação de um novo sistema eleitoral em 2034.
A articulação ganhou força nesta quarta-feira (28), após uma reunião de dirigentes partidários com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A intenção é construir um acordo para votar uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição) ainda em 2026.
Participaram das discussões representantes de União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, Podemos e da federação PSDB-Cidadania. Segundo Aécio, as negociações avançam para a adoção do voto distrital misto, embora ainda não exista consenso entre todas as legendas.
Preocupação com crescimento do PL
Nos bastidores, a movimentação também está relacionada ao fortalecimento da bancada bolsonarista nas eleições de 2026. Partidos do Centrão demonstram preocupação com o crescimento do PL, impulsionado por candidatos com grande alcance nas redes sociais, como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).
Aécio pretende ampliar as negociações com o PT, mas considera mais difícil conseguir o apoio do PL, partido que, em sua avaliação, foi um dos principais beneficiados pelas atuais regras eleitorais.
Pelo modelo distrital misto, os estados seriam divididos em distritos eleitorais. Cada eleitor teria dois votos: um para escolher o deputado de sua região e outro para um partido político, responsável pela distribuição proporcional de parte das cadeiras.
Outra alternativa discutida é o chamado distritão, sistema no qual seriam eleitos os candidatos mais votados, independentemente da votação total de seus partidos.
Aécio, porém, considera que esse modelo poderia provocar distorções na representação política e defende a adoção do sistema distrital misto.
A expectativa é que Hugo Motta procure lideranças do PT para ampliar o entendimento e permitir que uma proposta seja concluída na próxima semana. O objetivo também é negociar previamente com o Senado para facilitar a tramitação.
Apesar das articulações, a reforma ainda depende de um acordo político e da aprovação do Congresso Nacional. Caso avance nos moldes defendidos por Aécio, as eleições de 2030 seriam realizadas sob regras de transição, enquanto o novo sistema passaria a valer integralmente em 2034. (Jornal de Brasília)
