A possibilidade de conceder perdão ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) entrou nas articulações políticas para a eleição da presidência do Senado em 2027.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (28), Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) estuda defender um indulto ou uma anistia como forma de conquistar votos da direita e permanecer no comando da Casa por mais dois anos.
A estratégia, relatada por aliados do senador, também teria como objetivo reduzir a pressão pelo impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), especialmente Alexandre de Moraes, responsável pelo processo que resultou na condenação de Bolsonaro.
O primeiro caminho considerado por Alcolumbre seria negociar diretamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a concessão de um indulto humanitário ao ex-presidente, preso desde agosto de 2025 em decorrência da condenação pela tentativa de golpe de Estado.
Os dois se reuniram na segunda-feira (26), após o segundo turno das eleições presidenciais, mas o assunto não teria sido discutido. A intenção seria aguardar a redução das tensões políticas antes de apresentar a proposta.
Caso Lula rejeite a possibilidade de indulto, Alcolumbre poderá buscar a aprovação de uma anistia pelo Congresso Nacional. Diferentemente do indulto, que depende de decisão presidencial, a anistia precisa passar pelo Legislativo.
Disputa pelo Senado envolve Tereza Cristina
A movimentação ocorre diante do fortalecimento da direita no Senado a partir de fevereiro de 2027. Alcolumbre enfrentará a concorrência de Rogério Marinho (PL-RN) e da senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina (PP-MS), que também disputam o comando da Casa.
Com 29 senadores, o PL terá a maior bancada da próxima legislatura. O Novo contará com três representantes, enquanto partidos como PP e Republicanos também terão peso nas negociações.
Alcolumbre conta com apoio de setores governistas e de partidos de centro, mas precisa ampliar sua base para assegurar a reeleição. A escolha do presidente do Senado ocorre por votação secreta.
Acordo também envolveria ministros do STF
Outro ponto da articulação seria conseguir que parlamentares da direita reduzissem a pressão pelo afastamento de ministros do Supremo em troca de uma solução para a situação de Bolsonaro.
Pelo menos 49 dos 81 senadores da próxima legislatura manifestaram apoio ao impeachment de integrantes da Corte, embora existam diferenças de posição entre eles. Para aprovar a destituição de um ministro, são necessários 54 votos.
Entre os aliados de Alcolumbre, também existe a preocupação de que uma eventual anistia tenha efeitos limitados à condenação criminal de Bolsonaro, sem necessariamente devolver seus direitos políticos.
O ex-presidente permanece inelegível, e há divergências jurídicas sobre os possíveis efeitos de uma anistia na esfera eleitoral.
Por enquanto, as negociações permanecem no campo das articulações de bastidores, sem proposta formal apresentada. A possibilidade de um acordo dependerá da posição de Lula, da reação dos parlamentares de oposição e dos desdobramentos jurídicos envolvendo o ex-presidente.
