A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) ganhou novos capítulos de tensão em Campo Grande.
Denúncias de agressão contra uma professora e um confronto envolvendo manifestação estudantil na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) provocaram discussões na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), durante a sessão desta quarta-feira (21).
Um dos episódios foi relatado pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT), que afirmou ter presenciado agressões físicas, verbais e racistas contra a professora Pâmela Karine Soares Lima, durante uma atividade de campanha em apoio à reeleição de Lula.
Segundo o parlamentar, a docente participava de uma adesivagem eleitoral quando teria sido atacada por jovens ligados à campanha adversária. Kemp afirmou que a mulher foi derrubada no chão e alvo de ofensas racistas.
O deputado apresentou uma moção de apoio à professora e informou que ela foi orientada a registrar boletim de ocorrência para permitir a investigação dos fatos e a identificação dos responsáveis.
Outro episódio levado ao plenário ocorreu na noite de terça-feira (20), durante um protesto antifascista na UEMS. A deputada Gleice Jane (PT) acusou o vereador André Salineiro (PL) de interferir na manifestação ao retirar uma faixa utilizada pelos estudantes.
De acordo com a parlamentar, o material continha a frase "UEMS sem fascismo". Ela considerou a atitude uma violação à liberdade de manifestação dos acadêmicos e anunciou a intenção de apresentar uma representação ao Ministério Público.
As declarações sobre os dois episódios foram feitas pelos parlamentares durante a sessão. As acusações ainda dependem de apuração pelos órgãos competentes.
O deputado Zeca do PT também demonstrou preocupação com o clima eleitoral e chamou a atenção para publicações nas redes sociais direcionadas a apoiadores do presidente Lula.
Diante dos relatos, o presidente da Alems, Gerson Claro (PP), manifestou repúdio à violência política, independentemente do posicionamento partidário dos envolvidos.
"Essa mesa diretora repudia qualquer ato de violência seja para lado A ou lado B", afirmou.
Gerson Claro também criticou a postura adotada por participantes das manifestações e o conteúdo de publicações divulgadas durante a campanha, avaliando que os confrontos prejudicam o debate democrático.
Os episódios ocorrem na reta final do segundo turno presidencial, marcado para domingo (25), quando os eleitores voltarão às urnas para decidir a disputa pelo Palácio do Planalto.
