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Política

Caiado ameaça deixar o UB e tenta outra legenda pela disputa ao Planalto

Governador de Goiás tem convite de uma legenda e conversas preliminares com outras duas

Conjuntura Online
27/01/26 às 16h23
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O governador Ronaldo Caiado (GO) (Foto: Brenno Carvalho /Agência O Globo)

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, afirmou nesta terça-feira que pode deixar o União Brasil nos próximos dias para viabilizar sua candidatura ao Palácio do Planalto em 2026. Em entrevista à rádio Novabrasil, em Goiânia, o governador disse já ter comunicado a cúpula da legenda de que passou a buscar outra alternativa partidária.

— Já informei o presidente do partido, o Rueda, o ACM Neto, que é meu amigo-irmão, e já disse que entendo a dificuldade do partido. Só que, nessa situação, eu já estou buscando também uma alternativa para ter outro partido pelo qual me candidatar — afirmou.

A declaração expõe o agravamento da crise entre Caiado e o comando do União, que passou a tratar sua pré-candidatura como inviável. Nos bastidores, dirigentes da executiva nacional ouvidos pelo GLOBO sob reserva afirmam que a eventual saída do governador já é considerada um cenário provável. Integrantes do comando da sigla relatam que foram informados de que Caiado avalia deixar o partido e dizem que o desempenho dele em avaliações internas é visto como baixo.

A leitura predominante hoje na cúpula é que o União não deve bancar uma candidatura própria ao Planalto e que a prioridade é preservar margem de manobra. A avaliação é que, sem um nome competitivo, o partido não teria muito a ganhar entrando numa disputa presidencial para marcar posição e poderia sair menor do processo.

Nesse desenho, os nomes vistos como capazes de unificar o campo da direita e do centro-direita são os governadores Ratinho Júnior (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), caso ele esteja politicamente apto a disputar. Uma eventual composição com o senador Flávio Bolsonaro (PL) é mencionada nas conversas, mas não empolga a cúpula da legenda.

Dirigentes resumem o raciocínio de forma pragmática: ao não lançar candidato próprio, a federação preserva pontes. Se a oposição vencer, pode compor o arranjo; se o presidente Lula for reeleito, o grupo também não ficaria interditado para integrar a base de sustentação do governo.

A avaliação interna é que insistir em um projeto presidencial de Caiado poderia isolar o partido numa eleição que deve ser marcada por federações e alianças amplas.

O movimento de Caiado ocorre após episódios recentes de desgaste. Dirigentes partidários relatam que o governador se sentiu desautorizado quando lideranças nacionais passaram a tratar publicamente Tarcísio como alternativa presidencial, o que foi interpretado por aliados do goiano como um veto indireto ao seu nome.

Enquanto pressiona o União, Caiado já se movimenta para não ficar sem abrigo partidário. O Solidariedade, comandado pelo deputado Paulinho da Força (SP), fez um convite direto ao governador para que ele se filie à sigla e mantenha o projeto presidencial. O gesto foi visto no entorno de Caiado como o primeiro aceno concreto de legenda fora do União.

— Nós estamos dispostos a recebê-lo, o partido e a federação. Hoje conversei com Caiado por telefone. Estou fora do Brasil e ficamos de conversar nos próximos dias sobre esta possibilidade. A decisão de sair do União Brasil acho que ele já tomou. Não tem mais volta — disse Paulinho ao GLOBO.

As conversas, porém, não se limitam ao Solidariedade. Segundo aliados do governador, há diálogos preliminares também com dirigentes do Podemos e do Republicanos. A estratégia de Caiado tem sido sondar quais partidos estariam dispostos a bancar formalmente sua candidatura ao Planalto, caso o União consolide a decisão de não lançar nome próprio.

No Republicanos, a dificuldade de Tarcísio em se viabilizar candidato com o lançamento de Flávio "liberou" o partido para pensar em outros planos, abrindo portas para uma possível filiação de Caiado. Interlocuotores repetem que o filho 01 do ex-presidente não é a "primeira e nem a segunda opção".

No União, o discurso é de que o partido trabalha com a lógica de convergência, não de candidatura isolada. Correligionários afirmam que, nas reuniões internas, Antonio Rueda e Ciro Nogueira têm sido reiterado que a sigla deve estar inserida num arranjo maior da oposição, e não liderar uma disputa presidencial própria.

A crise coloca Caiado em um impasse: seguir num partido que não garante legenda para o Planalto ou migrar para uma sigla menor, com estrutura e tempo de TV reduzidos, mas com liberdade formal para disputar a eleição. O governador já tem uma pré-campanha em andamento, conduzida pelo marqueteiro Paulo Vasconcelos, que esteve com Aécio Neves em 2014.

O ultimato do governador, agora público, força o União a decidir se tenta conter a saída de um de seus principais quadros estaduais ou se consolida de vez a estratégia de apostar num nome de fora da sigla para liderar o campo da direita em 2026. Entre aliados de Rueda, a avaliação é de que não terá um esforço para manter o governador. (Com O Globo)

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