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Política

Defesa aponta 657 arquivos modificados no celular de Vorcaro após prisão

Análise entregue ao STF também identifica 436 arquivos criados depois da apreensão; defesa questiona integridade das provas utilizadas na investigação do Banco Master

Conjuntura Online
29/10/26 às 21h07
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O empresário Daniel Vorcaro. (Foto: Reprodução)

Uma perícia particular apresentada pela defesa do empresário Daniel Vorcaro levantou dúvidas sobre a preservação das provas utilizadas nas investigações do Banco Master.

O levantamento identificou registros de modificações em 657 arquivos e a criação de outros 436 no celular do ex-banqueiro depois que o aparelho já estava sob custódia da PF (Polícia Federal).

O documento foi encaminhado nesta quinta-feira (29) ao STF (Supremo Tribunal Federal) e questiona os procedimentos adotados na apreensão, no armazenamento e na extração das informações do telefone.

Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Segundo a análise elaborada pelo perito Marcos Monteiro, contratado pela defesa, as alterações foram registradas no dia seguinte, quando o aparelho já havia sido apreendido.

Entre os arquivos modificados estão 59 bancos de dados, que podem armazenar mensagens, registros de utilização e informações de aplicativos. Já entre os 436 arquivos criados, foram identificados documentos de configuração do sistema, imagens e outros bancos de dados.

Registros posteriores à extração dos dados

A perícia também encontrou 340 arquivos com datas de modificação em maio de 2026, aproximadamente seis meses depois da extração dos dados, realizada em novembro do ano anterior.

Para os advogados, os registros levantam questionamentos sobre a integridade do material utilizado na investigação, especialmente porque a defesa afirma não ter recebido os arquivos originais necessários para uma verificação independente.

O laudo, entretanto, não comprova adulteração intencional das provas. Os registros técnicos não permitem determinar quem realizou as operações, se houve intervenção humana ou se as alterações decorreram de procedimentos automáticos de processamento dos dados.

Defesa pede acesso aos arquivos originais

Na manifestação apresentada ao STF, os advogados afirmam que Vorcaro contesta a autenticidade de parte das informações extraídas do celular e posteriormente divulgadas.

A defesa sustenta que faltam documentos capazes de esclarecer todos os procedimentos realizados com o aparelho desde a apreensão até a conclusão da perícia policial.

Diante disso, pediu a preservação dos dados originais, o acesso aos registros técnicos e a disponibilização do material para uma nova análise. Os advogados também voltaram a defender a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares.

Investigação envolve suspeitas de fraudes bilionárias

O celular de Vorcaro é considerado uma das principais fontes de informações da investigação sobre o Banco Master, que apura suspeitas de irregularidades financeiras e operações com carteiras de crédito envolvendo o BRB (Banco de Brasília).

Entre os dados extraídos estão mensagens e documentos relacionados a contatos do empresário com autoridades e representantes do setor financeiro.

A PF indiciou Vorcaro e outros 14 investigados nesta quarta-feira (28), apontando suspeitas de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Em setembro, a corporação havia informado que o material original permanecia preservado, com a cadeia de custódia documentada e os lacres mantidos.

A nova perícia apresentada pela defesa abre uma discussão sobre a possibilidade de verificação independente das provas. Caberá ao STF avaliar os pedidos dos advogados e decidir sobre a necessidade de novas diligências para esclarecer as divergências apontadas.

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