O endividamento dos brasileiros e os gastos públicos provocaram um confronto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) durante o último debate presidencial antes do segundo turno, realizado nesta sexta-feira (23), pela TV Globo.
O candidato do PL acusou o governo de ampliar despesas para garantir a reeleição, enquanto Lula defendeu as medidas adotadas para reduzir as dívidas da população.
Flávio questionou o presidente sobre o aumento do custo de vida e retomou a promessa feita por Lula na campanha de 2022 de ampliar o acesso dos brasileiros a alimentos como a picanha. O senador afirmou que muitas famílias enfrentam dificuldades para comprar produtos básicos.
Durante a discussão, Flávio declarou que os brasileiros passaram a parcelar até mesmo as compras de supermercado, em referência à perda do poder de compra. Segundo ele, mais de 80 milhões de pessoas estão com contas em atraso.
O candidato também criticou os juros elevados e acusou Lula de utilizar recursos públicos com objetivos eleitorais. Flávio afirmou que o presidente teria gasto mais de R$ 405 bilhões para tentar garantir um novo mandato, mas não apresentou detalhes sobre a composição desse valor.
Em resposta, Lula reconheceu o endividamento das famílias como um problema grave e destacou os programas de renegociação de dívidas implementados durante sua gestão.
Segundo o presidente, as duas primeiras iniciativas atenderam aproximadamente 31 milhões de brasileiros, sendo 15 milhões na primeira etapa e quase 16 milhões na segunda.
Lula também anunciou a preparação de uma nova rodada de renegociação, que poderá envolver mais de R$ 150 bilhões em dívidas. A proposta prevê a realização de um leilão para facilitar acordos entre credores e consumidores.
Outro ponto abordado foi a situação dos MEIs (microempreendedores individuais). O presidente mencionou medidas de apoio à categoria, incluindo o perdão de aproximadamente R$ 15 bilhões em dívidas, que, segundo ele, alcançariam cerca de 4 milhões de pessoas.
Flávio, por sua vez, apresentou uma proposta para ampliar o acesso ao crédito por meio da Caixa Econômica Federal. A intenção, segundo o senador, é direcionar financiamentos com juros reduzidos a pequenos empreendedores, especialmente moradores de comunidades e periferias.
O candidato defendeu a formalização de negócios e afirmou que o banco público poderia desempenhar um papel mais amplo no financiamento de atividades econômicas de pequeno porte.
O confronto sobre economia ocorreu na reta final da campanha presidencial. Lula e Flávio disputam o segundo turno neste domingo (25), quando os eleitores brasileiros voltarão às urnas para escolher o próximo presidente da República. (CNN)
