O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante), que conquistou 3,44 milhões de votos no primeiro turno da eleição presidencial, anunciou nesta quinta-feira (8) apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão ocorre quatro dias depois de Cury afirmar que não pretendia se posicionar a favor de nenhum dos dois candidatos.
Com 2,89% dos votos válidos, Cury terminou a primeira etapa da eleição em terceiro lugar. O apoio foi formalizado após Flávio assumir compromissos relacionados a propostas defendidas pelo ex-presidenciável durante a campanha.
Entre as condições apresentadas estão o fim da reeleição para presidente da República, a alternância de poder, medidas de pacificação nacional, proteção às mulheres e valorização dos professores.
O acordo também contempla a ampliação de financiamentos destinados a microempreendedores.
A mudança de posicionamento chama atenção porque, logo após a divulgação do resultado das urnas, Cury havia anunciado que permaneceria neutro no segundo turno. Na ocasião, declarou que ninguém estava autorizado a negociar apoio político em seu nome e chegou a mencionar a possibilidade de deixar a vida partidária.
A adesão representa mais um movimento de articulação política de Flávio Bolsonaro, que busca ampliar sua base de apoio para a votação marcada para 25 de outubro.
Flávio reúne 14 governadores eleitos
Além do entendimento com Cury, o candidato do PL recebeu nesta quinta-feira, em Brasília, o apoio de um grupo de 14 governadores eleitos no primeiro turno. O encontro reuniu representantes de diferentes partidos, incluindo PL, Republicanos, PP e MDB.
Entre os participantes estavam Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná, e Douglas Ruas (PL), do Rio de Janeiro, cuja vitória no primeiro turno foi definida após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) determinar a anulação dos votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos).
A presença de Moro também marcou uma aproximação política com a família Bolsonaro. O ex-juiz foi ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, mas deixou o cargo em 2020 após acusar o então presidente de tentar interferir na Polícia Federal.
O encontro faz parte das negociações conduzidas por Flávio para reunir lideranças estaduais e partidárias em torno de sua candidatura. Entre os governadores aliados está Eduardo Riedel (PP), reeleito em Mato Grosso do Sul.
Flávio faz promessas sobre Bolsa Família e aposentadorias
Na noite desta quinta-feira, Flávio também realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais, retomando o formato utilizado por seu pai, Jair Bolsonaro, durante a Presidência da República.
Durante a transmissão, negou que pretenda acabar com o Bolsa Família caso seja eleito e prometeu reajustes de aposentadorias acima da inflação.
As declarações ocorreram em meio à disputa por apoios políticos e à apresentação de propostas para o segundo turno. Flávio enfrenta Lula, que tenta conquistar um novo mandato à frente do Palácio do Planalto.
A votação está marcada para 25 de outubro, quando os eleitores voltarão às urnas para definir o próximo presidente da República.
