O resultado das urnas no Rio de Janeiro abriu espaço para cobranças dentro da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Em reunião com aliados na noite de segunda-feira (5), o presidente demonstrou insatisfação com a postura de Eduardo Paes (PSD) durante o primeiro turno e avaliou que o ex-prefeito do Rio se omitiu na disputa presidencial.
A reclamação ocorreu um dia depois de Flávio Bolsonaro (PL) superar Lula no estado. O candidato do PL recebeu 53,01% dos votos válidos no Rio, enquanto o petista registrou 39,41%.
Na avaliação relatada por aliados, Paes poderia ter feito uma defesa mais enfática da candidatura de Lula. Durante a campanha pelo governo estadual, o candidato do PSD procurou evitar a nacionalização da disputa e construiu alianças mais ao centro, sem colocar o confronto entre petismo e bolsonarismo como eixo principal de sua candidatura.
A estratégia já havia provocado questionamentos antes da votação. No último debate entre os candidatos ao governo fluminense, Paes foi cobrado por adversários por não expor de maneira mais direta sua ligação com Lula. Na ocasião, respondeu que pretendia concentrar a campanha nos problemas do Rio de Janeiro.
A distância também ficou evidente na reta final. Na sexta-feira (2), Lula participou de uma caminhada pelo Centro do Rio sem a presença de Paes, apesar de o petista apoiar a candidatura do ex-prefeito ao governo estadual.
Segundo relatos da reunião de segunda-feira, Lula afirmou que Paes se omitiu e resumiu sua insatisfação com o ditado “quem tudo quer nada tem”. A declaração ocorreu enquanto aliados discutiam os resultados do primeiro turno e as mudanças necessárias para a campanha presidencial.
Paes também saiu das urnas em situação desfavorável na disputa estadual. Ele recebeu 42,76% dos votos válidos, contra 49,27% de Douglas Ruas (PL). O cenário ainda envolve uma disputa jurídica relacionada aos votos de Anthony Garotinho (Republicanos), cujo registro foi indeferido.
A cobrança a Paes ocorre no momento em que Lula reorganiza sua estratégia para o segundo turno presidencial. A campanha pretende ampliar a mobilização nos estados e reduzir a abstenção em regiões consideradas importantes para recuperar votos na disputa contra Flávio.
